Visitando o Boto Cor de Rosa

Visitando o Boto Cor de Rosa

Nosso primeiro passeio na Amazônia não poderia ter sido mais marcante: fomos visitar o boto cor de rosa em seu habitat natural no Rio Negro.

Saímos cedo de barco, o local fica a 1,5 hora rio acima e foi interessante esta primeira visão do Rio Negro, com suas ilhas, pássaros, peixes que teimam em pular dentro da lancha e as pequenas comunidades às suas margens, com suas casas coloridas. Vimos até uma praia, tomada de pessoas que viajavam em barcos maiores e faziam uma parada por lá.

praia nas margens do Rio Negro

comunidade às margens do Rio Negro

Durante o trajeto pudemos conversar com o nosso guia, Márcio. Um caboclo nascido a poucos quilômetros dali, casado, 2 filhos e que começou trabalhando nas obras de construção do hotel Tiwa e agora atua diretamente com os hospedes, os levando aos diversos passeios.

Perguntamos ao Márcio, como as pessoas se conhecem por lá, uma vez que as comunidades são pequenas e diversos de seus moradores têm grau de parentesco, ficam distantes uma das outras e isoladas pelos rios, sendo difícil para os jovens conseguirem conhecer suas futuras namoradas(os).

Com muita simplicidade, ele nos contou que conheceu sua esposa em um torneio de futebol. As comunidades costumam promover festas e as divulgam com faixas às margens dos rios e igarapés. No dia marcado, diversas pessoas das comunidades vizinhas se dirigem para lá. Esta aberta a porta para que os jovens casais se conheçam.

No seu caso, ele nos contou que conheceu sua futura esposa, em um torneio de futebol, no qual o prêmio era um boi. No final da história seu time havia ganhado o boi, e ele conquistado uma namorada. Mas as dificuldades não terminaram após o inicio do namoro. Nos finais de semana ele pegava um pequeno barco e remava rio acima, até a comunidade em que sua amada morava. Dai, como conforme suas palavras:“eu punha ela na canoa e ia para algum igarapé, para namorarmos”.

Foram tantos outros causos que rapidamente chegamos ao Recanto do Boto, um conjunto de casas flutuantes, administrada pelo casal Silvana e Érico. A família toda mora e trabalha ali, pescando, interagindo com os botos, vendendo artesanato e cuidando de uma pequena venda.

Recanto do Boto

Em uma plataforma é possível aos turistas ficarem em pé dentro rio e tocar os botos, enquanto um dos filhos de Dona Silvana os alimenta. A experiência é magnífica. Primeiro pelo fato de entrarmos no Rio Negro. A água é quente, escura, inodora e sem gosto. Para mim, morador de São Paulo e acostumado com os Rios Tietê, Pinheiros e Tamanduateí foi algo inesquecível. Segundo pelo fato de estar tão próximo de um animal tão bonito e com o qual naturalmente nos identificamos, e o mais importante, ele não estava preso em um aquário, mas sim em seu ambiente natural: o rio.

uma plataforma no rio permite que todos se aproximem dos botos

boto cor de rosa

Enquanto tentávamos passar a mão nos botos, a Dona Silvana explicava o trabalho que faz, e que acredita que isto está sendo útil para reduzir a pesca do boto cor de rosa, uma vez que os ribeirinhos estão aprendendo que o turismo pode ser uma importante fonte de renda para eles.

Dona Silvana explicando a importância da preservação do boto cor de rosa

Após uns 15 minutos na água fomos convidados a sair, para deixar os botos descansarem e fomos levados, para um cercado de madeira submerso no rio, e  que serve de viveiro para 13 pirarucus, um dos maiores peixes de água doce e também é conhecido como “bacalhau da Amazônia”.

Lá, tivemos a oportunidade de alimentá-los com peixes amarrados em um cordão preso a uma longa vara. Ao colocarmos o peixe na água, ouvimos o forte estalo de sua mordida, e o pirarucu se debatia fortemente para soltar o peixe que acabara de engolir. Foi interessante conhecer a força deste gigante dos rios.

O pirarucu mostra sua força

Silvana e Érico em sua venda instalada no Recanto do Boto

Bom o passeio chegava ao fim, hora de retornar para o barco e viajar de volta ao hotel, foi uma viagem rápida com as lembranças da nossa experiência a flor da pele e uma certeza: valeu muito a pena!

Se você lembrou da lenda do Boto Cor de Rosa e quer mais  detalhes, leia o texto no link a seguir: http://indiosdobrasilsomostodosirmaos.blogspot.com/2009/03/jovem-india-de-pele-clara.html

Para ler mais sobre a Amazonia veja os posts abaixo

Amazonas

Conhecendo uma comunidade Indígena no Rio Negro – AM

Museu do Seringal na Amazônia

Encontro das Águas

Video: Visita ao Recanto do Boto

Video: Saudação – Aldeia Dessana :

 

Edson Maiero

This Post Has 2 Comments
  • Adorei as fotos ! tenho muita vontade de ver os botos. Acho que vai ser minha próxima viagem.

    • Nivea, se você for não irá se arrepender. A Amazonia é um lugar que todos os brasileiros deveriam conhecer.

      Edson

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