Um rápido city tour por Manaus

Um rápido city tour por Manaus

Era nosso último dia na Amazônia e ainda não tínhamos tido a oportunidade de conhecer Manaus. Como tínhamos algumas horas antes de embarcar de volta a São Paulo, deixamos o hotel Tiwa logo cedo e atravessamos o Rio Negro para fazer um city tour agendado no próprio hotel e em companhia de outros viajantes que pegariam o mesmo vôo que o nosso.

Ao chegarmos ao ancoradouro do Hotel Tropical fomos recebidos pelo nosso Guia, Junior e partimos pelas ruas de Manaus. Confesso que fiquei com o pé atrás quando ele começou a comentar a respeito de um supermercado e depois sobre algumas agencias de automóveis. “Deve ser falta de pontos turísticos para mostrar”, pensei enquanto ele discorria sobre uma agencia da Audi.

Além do passeio ter sido rápido, como estávamos na semana entre o Natal e o Ano Novo, vários locais que iríamos normalmente visitar estavam fechados, sendo assim, nos concentramos no Teatro Amazonas e Mercado Municipal.

Fomos primeiro ao teatro Amazonas, mas como chegamos as 11h50, fomos informados de que a próxima visita guiada seria as 13h00, assim, para não perder, tempo corremos ao Mercado Municipal Adolpho Lisboa (Rua dos Barés, 46, e funciona diariamente das 8h00 as 18h00). Localizado às margens do Rio Negro e inaugurado em 1883, durante o próspero ciclo da Borracha, o Mercado Municipal, ou Mercadão, como é chamado, foi inspirado no Mercado de Les Halles de Paris e foi o segundo mercado a ser construído no Pais e é até hoje, a porta de entrada da produção pesqueira e rural no estado.

Logo na chegada ao Mercadão, o guia nos alertou que iríamos ver coisas estranhas, diferentes do Mercado Municipal de São Paulo e ao andar em seus corredores, tive que concordar que realmente é um mundo totalmente diferente do que vemos no Sudeste e quando uma garota da Indonésia, que estava em nosso grupo, nos disse que Manaus, e em especial o Mercadão e o porto em frente, a faziam lembrar de sua cidade natal, isto não me causou estranheza.

Lá podemos encontrar frutas, temperos, comidas típicas, carnes e artesanato, e como não poderia deixar de ser, o produto mais importante: peixe! Apesar de alguns fatos curiosos, como trabalhadores almoçando no próprio box, enquanto continuavam limpando os peixes, as condições de higiene me pareceram satisfatórias. Mas o mesmo não se pode dizer das carnes ali vendidas, e que aparentemente não tem o mesmo cuidado, pois as carnes ficam expostas nos balcões sem refrigeração e 0 ponto alto, ou melhor baixo, foi ver um rapaz pegando os pedaços de carne no balcão e os cheirando. Os “bons” continuavam a venda, enquanto os reprovados pelo mal cheiro tinham como destino um tambor de lixo.

grande variedade de peixes

Os peixes são limpados em um ritmo frenético, que não para nem para o almoço

também existe espaço para as frutas, como bananas

entre um galpão e outro, pequenos restaurantes servem comida típica

Enquanto caminhávamos de um galpão para outro no Mercado, atravessei a rua para olhar um pouco o porto, mas infelizmente não tivemos tempo para descer até lá e só pudemos observar da calçada. A quantidade de barcos sendo carregados/descarregados e aguardando sua próxima viagem chama a atenção, assim como seu colorido e a sujeira na margem. Aparentemente a preservação da natureza e do Rio Negro não está em pauta e uma grande quantidade de lixo bóia nas margens e toma conta da areia.

barcos ancorados no Porto de Manaus, festival de cores, mas infelizmente…

…o lixo toma conta da água e areia

passagens para outras cidades são vendidas na calçada em frente ao porto

A hora passou rápido e precisamos retornar para Van e para irmos ao Teatro Amazonas, mas chegando lá tomamos um susto. Na bilheteria fomos informados que devido a falta de guias, só poderíamos fazer a visita as 14h00, o que seria impossível para nós, pois tínhamos que ir ao aeroporto. Reclamamos, choramos e finalmente uma simpática amazonense, Marina, que estava no saguão se identificou como uma “guia aposentada” e se prontificou a nos guiar pelo teatro. Desta forma conseguimos nosso objetivo principal: conhecer o belo e famoso Teatro Amazonas.

Inaugurado em  31 de dezembro de 1896, o Teatro Amazonas é resultado da riqueza que circulava na região durante o Ciclo da Borracha, e que teve seu ápice entre 1879 e 1912, tendo como objetivo receber as grandes companhias de espetáculos européias, para entreter a corte local. Com capacidade para 701 pessoas, sentadas na platéia e camarotes, o teatro foi construído com materiais nobres, como por exemplo a cúpula feita com 36 mil peças de cerâmica esmaltada e telhas vitrificadas, vindas da Alsácia,  adquirida na Casa Koch Frères, em Paris.

fachada do Teatro Amazonas

detalhe da cúpula feita com 36 mil peças de cerâmica esmaltada e telhas vitrificadas

Teatro Amazonas: visão do palco e camarotes, ao fundo a nossa guia salvadora: Marina

A sala de espetáculos tem uma capacidade de 701 pessoas, entre a platéia e os camarotes distribuídos em 3 andares

pintura do teto inspirada na visão que temos da Torre Eifel, quando a olhamos por baixo

poltronas

antiga sala na qual as mulheres tomavam chá e conversavam nos intervalos dos espetáculos

Detalhe do teto do Salão Nobre: “A Glorificação das Bellas Artes na Amazônia”, de 1899, de autoria de Domenico de Angelis

Salão Nobre: era aqui que os Barões da Borracha se reuniam nos intervalos da apresentações e discutiam política e negócios

Apesar de corrido o city tour foi muito bom e ficamos com aquele gostinho de quero mais, e certamente não irei demorar muito para voltar a Manaus, mas desta vez com mais tempo para conhecer a cidade e seu povo.

Se você tiver algum comentário sobre este post, fique a vontade e use o campo abaixo para isto.

Para ler mais sobre a Amazônia, clique em um dos links abaixo:

Amazonas

Visitando o Boto Cor de Rosa

Conhecendo uma comunidade Indígena no Rio Negro – AM

Encontro das Águas

Museu do Seringueiro no Amazonas

Video: Visita ao Recanto do Boto

Video: Saudação – Aldeia Dessana

 

Edson Maiero

This Post Has 2 Comments

Comments are closed.