Um final de semana em Buenos Aires

Em dezembro do ano passado, estávamos viajando e listei com meu filho de 10 anos quais viagens nós gostaríamos de fazer em 2011. A lista ficou enorme e infelizmente devido a correria do dia a dia a maioria dos destinos ainda esta apenas no papel e para dizer a verdade, aumenta a cada dia. Como não gosto de deixar “tarefas” incompletas, neste final de ano, planejei um “esforço concentrado” e depois de passar um final de semana em Brasília, decidi por visitar Buenos Aires, antes de embarcar para Paris.

Aproveitando uma promoção da Gol no Facebook comprei, em um domingo a noite, as passagens com um desconto de 50% e fui atrás do hotel. Pela primeira vez arrisquei a fazer a reserva pelo Booking.com. Sempre tive receio, e preferi usar diretamente o site do hotel escolhido, mas como várias pessoas usam o serviço me rendi. Fiz a reserva no Hotel Trianon Residence Recoleta, recebi o email do Booking.com confirmando a reserva, e fui feliz da vida para a sala ler sobre Buenos Aires e planejar melhor o final de semana. Mas eis que lendo no artigos sobre Buenos Aires no Viaje Na Viagem, do grande Ricardo Freire, que eu vejo  péssimos comentários sobre o hotel que havia escolhido 10 minutos atrás: desde mau atendimento até a existência de piolhos, passando pelo péssimo café da manhã. Não perdi tempo, cancelei a reserva e escolhi outro hotel, desta vez melhor recomendado: Urban Suites, também na Recoleta.

A viagem foi curta apenas o final de semana, saindo na sexta-feira às 21h30 e retorno no domingo a noite. Como o vôo decolou atrasado, até desembarcarmos, pegarmos a mala e um taxi, fomos chegar no hotel por volta das 2h00 da manha. Chegamos ao hotel e ao apresentar a reserva impressa o atendente disse de bate pronto, sem ao menos ler: “Deve haver algum engano, o hotel esta completamente cheio, e não temos mais nenhuma reserva para esta noite“. Xinquei mentalmente o booking.com e tentei aparentar calma enquanto olhava para a cara de sono e desespero de meu filho, e depois de usar meu portunhol fluente com o rapaz do Hotel, eis que me lembrei da reserva que havia cancelado. Abri o Ipad para conferir e ali estava, saltando em meus olhos: a reserva do Urban Suites! Por alguma razão que ainda não descobri, paguei o maior mico de minha vida, ao imprimir não a reserva válida, mas a cancelada. Eu estava no Trianon Residence. Pegamos outro taxi, e as 3h30 estavamos dormindo no Urban Suites (excelente hotel, nosso quarto era muito espaçoso e confortável, além de muito bem decorado).

Ao acordar na manhã de sábado, abri a janela e vi o motivo de ter pago 100 pesos a mais na diária por um quarto voltado para a rua: O Cemitério da Recoleta e pensei comigo: tem coisas que apenas um turista faz: Eu nunca ficaria em um hotel em frente a um cemitério em São Paulo, quanto mais pagaria mais caro para ter um quarto com vista para ele. Após o café da manha, fomos caminhar e começamos pelo Cemitério e depois percorremos algumas avenidas do bairro.

Cemitério da Recoleta visto do Hotel Urban Suites

o cemitério impressiona pela sofisticação de seus mausoléus

outro lado da moeda: túmulos usados como depósitos de material de limpeza pelo pessoal do cemitério

detalhes dão um toque de beleza e tristeza

teias da vida e da morte

Caminhando pela Recoleta e conhecemos a Plaza San Martins de Tour, local aconchegante para descansar e que impressiona pela grande concentração de “Gomeros”, uma grande árvore com raízes enormes.

Plaza San Martín de Tours - "El Gran Gomero", uma árvore com 130 anos

Os grande Gomeros tomam conta da Plaza San Martins de Tours e formam uma sombra aconchegante para descanso

 

os portenhos adoram passear com seus cães

arte na praça

Depois de nossa parada na praça para descansarmos, seguimos em direção ao Obelisco e Casa Rosada e depois de visitarmos a Casa Rosada fomos de taxis para El Caminito.

Localizado no cruzamento das avenidas Corrientes e 9 de julho, o Obelisco comemora o 4o. centenário da fundação da cidade

Casa Rosada: sede do Governo Argentino

 

El Caminito: show de cores

No dia seguinte fizemos o tour no ônibus turístico, e devo confessar que me arrependi já no momento de pagar o bilhete: 70 pesos para adultos e 35 pesos para crianças. O bilhete lhe dá direito para usar o ônibus por 24 horas, descendo e subindo em qualquer parada, mas como o trajeto demora muito a ser completado (3 horas) e nós iríamos para o aeroporto às 18hs, simplesmente teria sido mais barato ter usado um taxi, mas isto eu conto em outro post.

Descemos no Porto Madero para almoçar e caminhar um pouco. E aqui devo dar um conselho: Nunca vá a um restaurante chamado “Rodízio”! É muito caro, e apesar do nome, não se parece em nada com nossos rodízio, a ponto de meu filho perguntar ao garçom se tinha carne.

Puente de la Mujer, obra do arquiteto espanhol Santiago Calatrava

Não perca a chance de visitar a Fragata Sarmiento - construída em 1897

Fragata Sarmiento: serve de museu em Porto Madero

Puente de la Mujer vista da Fragata Sarmiento

Após tomar um sorvete no Freddo caminhamos até o centro para uma rápida visita à Galeria Pacífico. Fiquei impressionado com a decadência da Calle Florida: tomada de ambulantes e camelôs é quase impossível andar e a sensação de que alguém irá lhe bater a carteira é constante. Passando em uma loja Havana, ouvi uma brasileira desesperada dizendo às amigas que sua bolsa havia sido roubada. Elas sentaram para tomar um café e bater papo, e distraídas não viram alguém passar e levar uma das bolsas que repousava em uma das cadeiras. Creio que nós brasileiros, estamos tão carentes de nos sentir seguros no Brasil, que quando vamos ao exterior relaxamos e somos descuidados ao extremo, sendo vítimas fáceis para este tipo de larápio.

Galeria Pacífico: charme e sofisticação

Minha conclusão: apesar de corrido, se você já conhece Buenos Aires é um bom programa passar o final de semana lá. A cidade tem um ar europeu e é convidativa para caminhadas. Sem falar da comida e se você gostar de tango, é sempre uma opção a noite.Mas se você não conhece a cidade, creio que um final de semana é pouco tempo, procure ir em feriado prolongado ou em férias.

Quer ler mais sobre Buenos Aires? Veja o post abaixo:

El Caminito a cores e em 360º

Edson Maiero