Madeira: Um dia na Freguesia de Monte

Madeira: Um dia na Freguesia de Monte

A Freguesia do Monte foi o primeiro lugar fora do litoral a receber moradores na Ilha da Madeira. Fundada em 1565 a região teve um forte desenvolvimento durante o século XIX, quando famílias ricas de Funchal, construíram casas de veraneio para escapar do forte calor do verão. Com o tempo, britânicos e alemães também passaram a se instalar por lá e as amplas casas, com jardins e parques, logo deram início a industria hoteleira da ilha. A subida não é fácil, afinal a Freguesia do Monte fica entre 300 e 540 metros acima do nível do mar e suas ruas íngremes não facilitam uma caminhada morro acima. Sendo assim, a menos que esteja em excelente forma física ou pagando uma promessa, eu recomendo um passeio de teleférico, o que além de lhe poupar da subida, irá  proporcionar uma vista maravilhosa da Baia do Funchal.

estação do Funchal

O teleférico de Funchal foi inaugurado em Novembro de 2000 e veio substituir com algumas décadas de atraso a linha férrea que fazia o trajeto Funchal – Monte, e que foi desativada em 1943, devido ao desaparecimento dos turistas em função da 2ª Guerra Mundial e aos acidentes que se acumulavam. O passeio leva em torno de 15 minutos, e neste tempo  percorre-se 3.200 metros, e um desnível de 560 metros, e acima de tudo: temos uma vista sem igual da Baia do Funchal, suas casas, mar azul e navios de cruzeiro que visitam a ilha. O ticket apenas de ida custa € 10,00 e ida e volta € 15,00. Eu comprei o ticket de ida e volta, mas hoje recomendo que você compre apenas para subir. Daqui a pouco eu explico o porque disto.

durante o passeio temos uma linda vista de Funchal, com o mar e céu azul ao fundo, além do porto, com navios de cruzeiro ancorados
espera…

Chegando ao topo, desci do teleférico e caminhei em direção a Igreja de Nossa Senhora do Monte e no caminho encontrei os Os Carreiros do Monte, com seus carros de cesto e que são uma das principais atrações da ilha. Como cheguei cedo, ainda não haviam passageiros, apesar de todos os carros e seus condutores estarem a postos. Resolvi primeiro visitar a Igreja de Nossa Senhora do Monte, que foi construída em 1747, e logo no ano seguinte destruída por um violento terremoto, tendo assim que ser reconstruída. Hoje é o templo mais visitado na Ilha e abriga além da imagem da Nossa Senhora do Monte, bastante venerada pela população da Madeira, o túmulo de Carlos de Áustria.

Igreja do Monte: fachada de 1747
interior da Igreja do Monte
detalhe do teto da igreja

Após visita a igreja fui conhecer o Jardim Tropical Monte Palace (aberto todos os dias das 9h00 as 18h00 – ingressos € 10,00). O nome engana, pois nos passa a idéia de ser apenas mais um “jardim” a ser visitado, mas na verdade é muito mais. A propriedade que no século XVIII chamava-se “Quinta do Prazer” foi comprada em 1897 por Alfredo Guilherme que construiu um palacete que viria a se tornar o Monte Palace Hotel. Este hotel fez muito sucesso, atraindo turistas de diversos países que vinham descansar na ilha e desfrutar da vista que o Hotel oferecia da Baía de Funchal. Infelizmente em 1943, com o falecimento do fundador, o hotel veio a falir e foi fechado, até que em 1987, outro empresário José Manuel Rodrigues Berardo, criou o Jardim Tropical Monte Palace, administrado pela Fundação Berardo. E com isto temos este belíssimo local para visitar.

Logo na entrada temos duas oliveiras que foram transplantadas da região de Alqueva, no Alentejo, pois devido a construção da “Barragem de Alqueva” as mesmas seriam submersas no imenso lago que se formou. Até ai nada de excepcional, não é? O curioso é que estas oliveiras foram plantadas pelos romanos no século 300 AC, e sendo assim, podemos dizer que os romanos colheram azeitonas destas árvores antes da crucificação de Cristo. Sinceramente, não fazia idéia de que uma oliveira poderia ter uma vida tão longa.

Original de Alqueva esta oliveira, foi plantada pelos Romanos por volta do ano 300AC

Na entrada pegue um mapa e percorra os jardins com calma, desfrutando da paisagem e parando para ver os murais de azulejos que retratam fatos históricos, religiosos e culturais que marcaram a história deste país. Além destes paineis podemos observar uma coleção de azulejos que só perdem para o Museu Nacional do Azulejo e conta com obras do século XV, XVI e contemporâneas.

murais de azulejo contam os principais fatos na história de Portugal

Além dos jardins, existe também um museu com duas mostras permanentes. A primeira apresenta a coleção “Paixão Africana” e nos mostra um acervo de esculturas em pedra do Zimbabué. Estas esculturas são uma forma de arte africana contemporânea que iniciou nos anos 60 e hoje é um dos principais movimentos artísticos africanos e que ainda esta em expansão. Lá podemos encontrar obras de Henry Munyaradzy, Bernard Matemera, Fanizani Akuda, Sylverter Mubayi e Anderson Mwale, além de escultores mais jovens como Apitoni Kanyenga, Erica Fanizani (esposa de Fanizani Akuda). A segunda mostra é a “Segredos da Mãe Natureza”, uma coleção de minerais e gemas, com mais 1.000 itens provenientes principalmente do Brasil, Portugal, África do Sul, Zâmbia, Peru, Argentina e América do Norte.

Exposição Paixão Africana
Exposição Segredos da Mãe Natureza

Na nossa caminhada pelos jardins é impossivel não ficarmos surpresos com a beleza e riqueza de detalhes. Existem dois jardins orientais, um dedicado à cultura japonesa e outro a cultura chinesa, lagos com peixes Koi de diversas cores e tamanhos, cisnes bravos, que fazem jus ao nome, basta de aproximar do cercado e imediatamente um deles tenta te morder, e como todo o jardim que se preze, não poderia deixar de valorizar a flora. E isto é feito com maestria, com mais de 60 espécies de diversos países, como as proteas da África do Sul, Azáleas da Bégica, Orquídeas dos Himalaias, Urzes da Escócia, Sequóias da América, Acácias da Austrália, etc.

Ao caminhar por um jardim de 70.000 m², eu acredito que você em algum momento irá querer descansar um pouco, e, estratégicamente no meio do percurso, encontramos o Café Esplanada, aproveite a oportunidade para sentar, admirar a vista e tomar um cálice de vinho Madeira. Não existe modo melhor de se preparar para parte final da visita ao Monte Palace.

Aventura dos Portugueses no Japão, no Jardins Oriental Norte
státua em bronze: Gone with the wind, por Manfred de 1989
durante a caminhada pelos jardins encontramos este mirante com uma vista de tirar o fôlego
do mirante podemos também ver os “bólidos” que passam desajeitados pelo retão
lago central

Terminada a visita ao Monte Palace, voltei para o ponto de saída dos carros de cesto. Este é um passeio tradicional, criado no século XIX para transportar inicialmente mercadorias e moradores morro abaixo, mas que logo foi transformada em uma atração turistica. O passeio leva o passageiro 2 quilometros morro abaixo, a meio caminho de Funchal. Eis ai a razão de eu recomendar que você compre apenas o ticket para subir com o teleférico. Assim, ao fim do passeio com o carro de cesto, você pode optar em descer andando ou tomar um taxi até o centro velho. No meu caso, tive que tomar um taxi para subir novamente ao teleférico, pagando € 10,00 após pechinchar com os motoristas. Para ler o post sobre os Carreiros do Monte, clique aqui.

Ao final do seu passeio à Freguesia do Monte estou certo de que você não terá se arrependido e esteja certo de que você teve a oportunidade de conhecer alguns dos principais pontos turísticos, culturais e históricos da Ilha da Madeira.

carreiros do monte

 

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Edson Maiero