Ilha de Páscoa: Rano Raraku, a fábrica de moais em 360 graus

Ilha de Páscoa: Rano Raraku, a fábrica de moais em 360 graus

Eu gosto muito de visitar fábricas, pois sempre vejo coisas novas e detalhes interessantes no processo. Mas desta vez, esta visita superou qualquer expectativa, afinal não todo o dia que visitamos uma fábrica a céu aberto, que começou a funcionar por volta de 800 DC (século 9), e que produziu centenas de moais até aproximadamente 1680, ou seja funcionou por mais de 8 séculos e dezenas de gerações.

Neste post eu vou contar como foi conhecer Rano Raraku e também vou lhe mostrar um virtual tour com 3 panorâmicas 360º para que você sinta um pouco da emoção de se estar por lá, além é claro de muitas fotos.

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A estrada até Rano Raraku é um espetáculo, temos o mar azul, penhascos, rochas, muitos cavalos selvagens perambulando e é claro sítios arqueológicos espalhados ao longo dela. E o melhor: não há transito.

Eu gostei muito de Rano Raraku, tanto que fiz duas visitas completas por e ainda consegui uma entradinha rápida de 20 minutos para fazer umas fotos que estavam faltando em uma terceira ida até lá. Na primeira vez, eu estava em um city tour coordenado pelo hotel em que estava hospedado. Confesso que tenho um certo preconceito com city tours, pois geralmente vemos o que o guia quer que vejamos e nem sempre são os mesmos locais que nos interessam. Mas como eu ficaria 5 dias na ilha achei que teria tempo suficiente para recuperar, caso o city tour fosse um fiasco então resolvi arriscar, pois estava interessado em ouvir alguém contando os detalhes históricos e culturais da ilha. O grupo tinha além de mim, 5 turistas americanos, muito simpáticos e alegres, mas isto fez com que todas as explicações fossem em inglês. Mais tarde pensei no problema que teria se os turistas fossem franceses, não iria entender nada. O city tour acabou sendo perfeito e me ajudou muito a entender a ilha, os moais e a história do lugar.

No caminho, nosso guia Patrício, contou que todos os moais foram esculpidos neste lugar, e que dali eram transportados por toda a ilha. Fiquei imaginando como os Rapa Nui conseguiram esta façanha, pois além da distância a ser vencida em um terreno irregular, os moais são grandes e pesados.
Quando estávamos a alguns metros da portaria, a visão geral do local, com o vulcão ao fundo e uma grande quantidade de moais semi enterrados espalhados em sua face, a minha ansiedade em começar a caminhar por lá aumentou muito.

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ainda na estrada temos uma vista fantástica da Fábrica de Moais

Na portaria temos o primeiro choque negativo, o ingresso para visitar Rano Raraku custa US$ 60,00 ($ 30.000 pesos chilenos). Uma dica para economizar é comprar o ingresso ainda na área de desembarque do aeroporto, antes de passar pela Alfândega. Lá o ingresso custa US$ 50,00. O Preço é salgado, eu sei, mas acredite, vale a pena cada centavo gasto. Além de Rano Raraku, com este ingresso você também pode visitar Orongo, no extremo sudoeste da ilha. Sendo assim, guarde com carinho seu ingresso para poder usa-lo mais tarde.

A visita se divide em duas partes, que podem ser feitas em qualquer ordem, uma vez que uma bifurcação logo no começo da trilha nos permite escolher qual região visitar primeiro: em uma direção temos a face externa do vulcão, onde podemos caminhar entre os moais e entender um pouco como era o processo de produção destas figuras gigantes. Na segunda parte da visita, vamos até o interior da cratéra, onde temos um lago e  podemos ver vários moais de longe, uma vez que não é mais permitido o acesso até eles.

Na face externa percorremos uma trilha que nos leva através dos moais em diferentes estágios de construção. Os moais eram esculpidos diretamente na pedreira. Apenas depois de toda a face frontal estar pronta, e que eles soltavam o moai da rocha e o transportavam até um ponto abaixo na montanha, onde os moais eram postos de pé e os detalhes nas costas eram feitos. Isto explica a grande quantidade de moais em pé na parte baixa. O moai era totalmente esculpido aqui, menos os olhos, que eram a última coisa feita, já com os moais em pé em suas plataformas finais.  Isto porque eles acreditavam que a alma do moai estava nos seus olhos.

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No início de nossa caminhada pelo parque, vemos o primeiro moai. Ele foi abandonado durante seu transporte.

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toda caminhada entre os moais é feita em trilhas demarcadas, mas prepare o fôlego, para subir a montanha você enfrentará muitas escadas

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Clique na foto e faça uma visita virtual a Rano Raraku – Panorâmica 360º

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o tamanho e os detalhes impressionam

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Clique na foto e faça uma visita virtual a Rano Raraku – Panorâmica 360º

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Quem esta encarando quem?

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prepare-se: a trilha nos leva até o topo da montanha, sendo assim escadas são inevitáveis

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apesar do número crescente de turistas, a quantidade de pessoas nas trilhas não atrapalha quem gosta de caminhar com calma e fotografar

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ao centro temos algo raro: um moai feminino

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nesta rocha podemos ver o local de onde se retirou um moai esculpido previamente

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Este é o maior moai esculpido: com mais de 21 metros e um peso estimado de 250t, mas nunca foi terminado. Fica a pergunta: como eles iriam descer este gigante montanha abaixo?

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Neste local existem 4 moais, sendo que três deles são facilmente vistos nesta foto – Clique na foto e faça uma visita virtual a Rano Raraku – Panorâmica 360º

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Um moai com um padrão estético diferente: um moai de joelhos, chamado de Moai Tuku Turi ou Moai Tuturi

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Daqui temos uma vista linda do Ahu Tongariki, um dos pontos altos da Ilha de Páscoa

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Do total de 887 moais encontrados pela ilha, 397 ficaram aqui, sem serem terminados ou transportados para seu destino final.

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A riqueza de detalhes nos moais impressiona, ainda mais quando lembramos que eles não tinham ferramentas e usavam pedaços de pedra para esculpir a rocha.

 O ponto alto da visita ao interior da cratera é o lago que se formou lá. Muito bonito e que serve de piscina aos nativos da ilha, que não pagam ingresso para visitar o parque. Sendo assim, eles aproveitam para tomar sol deitados na grama e nadar. Aproveite e sente um pouco para curtir a vista, tomar sol e descansar e se estiver preparado, nade um pouco (mas lembre-se de que não há salva-vidas por lá).

A visão dos moais se dá de longe, pois não é mais permitido andar entre eles, uma forma de preservação ambiental e dos próprios moais, uma vez que devido aos poucos guardas no parque, eu vi apenas um caminhando pelas trilhas, fica difícil impedir algum ato que estrague estas estátuas.

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No caminho para entrarmos na cratéra temos um moai caído, mostrando que era por ali que os antigos Rapa Nui retiravam os moais do vulcão extinto.

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A cratera do vulcão se tornou um lago e a vista é ótima

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Os nativos da ilha usam este lago para tomar sol e nadar usando um flutuador feito com juncos

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Aqui podemos ver diversos moais repousando na encosta do vulcão. Infelizmente não é mais permitido caminhar entre eles. Vendo algumas fotos de moais sendo escalados e/ou depredados por turistas, que teimam em escrever seus nomes neles, é fácil de entender o motivo de tal restrição.

No fim da visita, apesar de um pouco cansado, devido as subidas e descidas sob um sol muito forte, não tinha como não estar feliz pelo que vi e aprendi por lá, realmente este parque é uma das maiores razões para se visitar a Ilha de Páscoa.

 

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Edson Maiero

This Post Has 17 Comments
  • Toda vez que eu vejo seus posts sobre a ilha de Pascoa minha vontade de correr para lá aumenta. Incrível! Parabéns pelo post e pelas sempre belíssimas fotos.

    • Rafael, obrigado pelo comentário, quando você for, eu é que foi ficar babando com suas fotos e com vontade de voltar lá.

  • Nossa, que interessante! Não sabia que havia uma fábrica preservada!
    Esta é uma viagem dos sonhos mesmo.

    Parabéns pela viagem e pelo post!
    Camila

    • Camila,

      Realmente é surpreendente ver esta fábrica de Moais. Primeiro pelo tamanho, segundo pela quantidade de moais que ficaram abandonados pela área e terceiro pelo cuidado que eles tinham em não disperdiçar a rocha da montanha. Vale a pena ir e conhecer.

      obrigado pelo comentário,

      Edson Maiero

  • Oi Edson,

    Eu tava acompanhando as tuas fotos pelo twitter e já estava imaginando os posts que viriam por ai. Eu sempre tive vontade de conhecer a Ilha de Pascoa.. Preciso ir urgente conhecer esse lugar! Lindas as tuas fotos!
    E assim como a Mirella disse, esse precinho da entrada pro parque tá um “assalto”hehehehe
    =)

    • Bruna,

      O preço do ingresso realmente choca, mas passado o choque inicial, acho que valeu a pena. Afinal, é com o ingresso deste parque, que eles cuidam de todo o acervo arqueológico da ilha. Sabe o que é muito pior: o preço da comida, isto sim dá pena de pagar.

      Edson

  • Pelas fotos no Instagram já imaginava que o post seria maravilhoso! Não decepcionou! E vc ainda colocou as fotos grandonas desse jeito! UAU! Só isso!!
    Adorei seguir a tua viagem!
    Abraço,
    @viagempimpolhos

    • Sut-Mie,

      Obrigado pela visita e pelo comentário generoso. Em breve tem mais Ilha de Páscoa.

      Edson

  • Jura que não é permitido chegar perto dos moais que estão na parte da cratera??? Acho que fizemos arte quando estivemos por lá então… kkkkkk Muito bom o post, Edson. E sério, não vimos nenhuma placa dizendo que não podia. E, então, fomos!

    • Gleiber,

      É, agora é proíbido. Colocaram uma cerca e placas informando que o acesso esta fechado.

      Edson

  • Ei Edson,

    Morro de vontade de fazer esse passeio. Estava aguardando ansiosamente sua versão 360° da viagem para poder me sentir no local. 🙂
    Lindas fotos! Parabéns!

    Abraços,
    Lillian.

    • Lillian,

      não deixe de ir, é um lugar maravilhoso. Daqui a pouco vou postar fotos 360º de outros locais da ilha.

      abraço,

      Edson

  • Magnífico, Edson, y muy interesante.
    Hermosas las fotografias 360… tengo curiosidad de saber si usas equipamiento especial y el SW para ‘stitching’…
    Abrazo, Enrique

    • Enrique,

      obrigado pela visita e pelo gentil comentário. Vou lhe mandar uns links onde você ver mais detalhes sobre o equipamento e software usado nas fotos 360º, mas o equipamento basicamente é um cabeçote especial, com um disco divisor e uma lente fisheye.

      Edson

  • Adorei as fotos “Ilha de Páscoa: Rano Raraku, a fábrica de moais em 360 graus http://t.co/BQN0DTDj via @Phototravel360

  • Confesso, minha vontade de conhecer a ilha aumentou ainda mais 🙂
    Suas fotos são lindas e não sabia da existência de uma fábrica, achei que cada povoado construisse o seu e pronto 🙂
    Mas me conta esse preço do parque!!! Salgado, hein? 🙂
    Abs

    • Mirella,

      Obrigado pela visita e pelo comentário. O ingresso é caro, choca a princípio, mas sinceramente, eu acho que vale a pena. Os dois parques: Rano Raraku e Orongo são muito interessantes e fazem valer cada centavo gasto. Além disto, precisamos lembrar que é com este dinheiro que os moais são preservados.

      Abraço,

      Edson

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