Museu do Seringal na Amazônia

Museu do Seringal na Amazônia

“Uma verdadeira aula sobre um importante momento da história do Brasil. Creio que está é a melhor definição para a visita ao “Museu Seringal Vila Paraíso“. Como das vezes anteriores a lancha foi nosso meio de transporte e lá fomos nós navegando 1 hora em direção ao alto Rio Negro.

Ao chegarmos no museu tivemos a oportunidade de ver e sentir qual era a realidade das pessoas que viveram ali no passado. De um lado o dono do seringal, que usufruía de todo o conforto e riqueza que o ciclo da borracha gerou no Brasil. E do outro lado, os pobres seringueiros que faziam o duro trabalho de extrair o latex.

sede do museu: aqui o dono do seringal tinha todo o conforto que o dinheiro da borracha podia proporcionar

sala de jantar

quarto do casal

detalhe na cozinha

uma jarra para se lavar e refrescar

O ciclo da borracha teve seu auge entre 1879 e 1912 e foi responsável por um grande desenvolvimento das cidades de Manaus e Belém. Acredito que a abolição da escravatura em 1888 tenha criado alguns problemas para os donos dos seringais, mas eles logo encontraram uma solução: os nordestinos enfrentavam uma grave seca e eram facilmente convencidos de que trabalhar na Amazônia era um caminho rápido para a riqueza. Com esta promessa eles viajavam para lá, na esperança de um dia retornarem para suas casas, mas isto raramente acontecia.

Ao chegarem no seringal, o sonho de uma vida melhor se transformava em um pesadelo. Os nordestinos já chegavam devendo o valor da viagem e além disto tinham que pegar pelas ferramentas necessárias ao trabalho e a comida no armazém de propriedade do senhor do seringal. A combinação do baixo valor pago ao seringueiro pela borracha extraída e os altos preços praticados no armazém faziam com que a dívida do seringueiro com seu senhor aumentasse mais e mais. E uma coisa era certa: ninguém podia sair do seringal devendo algum dinheiro a seu Senhor. Pelo menos não vivo.

os quadros na parede mostram os produtos negociados na época

alguns dos produtos vendidos no armazem

A rotina de trabalho era árdua. Cada seringueiro era “dono” de um pedaço de terra com várias seringueiras e tinham que abrir os canais no tronco e usar uma pequena caneca para recolher o látex que escoria, isto era feito durante toda a noite e pela manha se iniciava o trabalho de transformação látex em bolas de borracha, que demorava horas. Só então o seringueiro podia levar sua produção ao armazém para pesar e ser pago, e com isto tentar pagar um pequeno pedaço de sua dívida e comprar a comida do dia.

detalhe de uma seringueira e dos canais por onde o latex é extraído

trabalhando horas em uma pequena cabana e exposto a fumaça da fogueira usada para coagular o latex e transforma-lo em borracha, vários seringueiros morriam devido a problemas respiratórios

a bolota de borracha precisava estar redonda, se estivesse achatada o preço pago era menor

quarto de um seringueiro para suas poucas horas de sono diário

a morte rondava os seringais. Doenças, ataques de animais e brigas. Nos casos de assassinato, o assassino era poupado para que pudesse trabalhar e pagar não apenas a sua dívida, mas também a do morto

Capela do seringal: nas épocas de festas, um amigo do dono do seringal se passava por padre e ouvia as confissões dos seringueiros. Os Planos de fuga e delitos confessados eram duramente punidos nos dias seguintes

O ciclo da borracha foi rápido e acabou quando os ingleses começaram a produzi-la na Malásia, no Ceilão e na África tropical, com sementes oriundas da própria Amazônia. Com uma maior eficiência e produtividade, o declínio do comércio da borracha brasileira foi rápido e os seringais foram sendo abandonados. Ainda houve um segundo ciclo entre 1942 e 1954, durante a 2a. guerra mundial, pois as invasões japonesas diminuíram a produção na Ásia e com isto o governo americano investiu fortemente na região de Belém para restabelecer a produção e garantir a borracha necessária para o esforço de guerra Americano. Mas acredite, as condições de trabalho não era melhores que as do século passado e o governo americano pagava ao governo brasileiro US$100,00 para cada trabalhador alistado.

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Amazonas

Visitando o Boto Cor de Rosa

Conhecendo uma comunidade Indígena no Rio Negro – AM

Encontro das Águas

Video: Visita ao Recanto do Boto

Video: Saudação – Aldeia Dessana

Edson Maiero