Ilha de Páscoa: 3 roteiros para conhecer seus mistérios – parte 1

Ilha de Páscoa: 3 roteiros para conhecer seus mistérios – parte 1

A Ilha de Páscoa tem se tornado um destino cada vez mais popular entre nós brasileiros. Isto porque a união da TAM com a LAN Chile, aumentou a exposição da imagem do Chile  no Brasil e, ao mesmo tempo, temos visto promoções com preços atrativos, o que naturalmente, faz com que esta ilha misteriosa receba mais e mais brazucas.

Para te ajudar a explorar a Ilha de Páscoa, preparei 3 roteiros de um dia, que vão lhe permitir conhecer todo mistério e encanto dos Moais, sem correrias, sobrando tempo para você fazer umas comprinhas, caminhar ou ainda tirar uma soneca sem culpa no hotel. Como não existe um sistema de transporte público na ilha, considerei que você estará alugando um carro (em torno de US$60,00/dia) , mas você pode tentar a usar um dos táxis da ilha, contratar um guia ou fazer um tour com uma das diversas agências em Hanga Roa.

Os três roteiros estão descritos em posts individuais, assim a leitura fica mais leve e o post mais rápido para carregar em seu computador, tablet ou smartphone.

Primeiro Dia: Parte oriental da ilha

No nosso primeiro dia, como vocês podem ver em amarelo no mapa abaixo, vamos seguir a estrada que margeia o litoral e conhecer diversos sítios arqueológicos que nos permitirão conhecer a história dos Moais e a cultura do povo Rapa Nui. Acredite, a quantidade de moais e a beleza da ilha nos deixam com a cabeça a mil. Eu nunca tinha visitado um lugar como este: a beleza da natureza se mistura com sítios arqueológicos e formam um par perfeito.

Ilha de Páscoa, Chile, roteiro de 1 dia

Vamos seguir o litoral da ilha rumo aos moais

O Ahu Akahanga é nossa primeira parada e confesso que fiquei chocado ao ver os moais caídos e quebrados, fiquei decepcionado e pensando: “Mas foi para isto que vim até aqui?”. A verdade é que a maioria dos moais estão caídos e quebrados, apenas os que foram restaurados estão em pé em suas plataformas, os Ahu. Isto porque durante um período de guerras internas, as tribos destruíam os moais dos inimigos, e pelo que podemos ver, todos tiveram muito sucesso nisto. Mas aqui, além dos 12 moais caídos em sua plataforma, nós podemos ver resquícios de uma vila, uma “hare paenga”, ou casa bote, que tinham fundações de pedra e cobertura de palha, uma área de cozinha, que era sempre coletiva e ao livre e até uma caverna que servia de moradia.

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Ahu Akahanga

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os gigantes caídos

Nosso próximo destino, Rano Raraku, a fábrica de Moais, é um delírio para qualquer turista. É aqui que temos a maior concentração de moais na ilha e não é para menos. Durante séculos eles foram esculpidos aqui e transportados para toda a ilha. Neste processo, diversos moais caíram durante o transporte e ficaram abandonados aqui mesmo. Outra grande parte, foi abandonada ainda durante o processo de fabricação, quando de modo súbito, toda a produção de moais foi abandonada, provavelmente devido as guerras que devastaram a ilha.

Para entrar neste parque,, você terá que comprar um ingresso, que também dá direito de visitar a Aldeia Cerimonial de Orongo. O preço é de US$ 60,00, salgado, muito salgado, mas acredite, vale a pena. Não apenas pela beleza do lugar, mas também porque após viajar até aqui, não teria sentido você não conhecer seu principal ponto arqueológico. Uma dica é comprar o ingresso ainda no aeroporto, na área de desembarque. Lá o mesmo ingresso sai por US$ 50,00.

Em Rano Raraku caminhamos em meio a 397 moais em diversas fases de construção. Alguns ainda estavam sendo esculpidos nas rochas da montanha, outros enterrados até o pescoço, após terem sido abandonados ainda durante o acabamento e outros moais cairam durante o transporte até seu destino final. Posso imaginar a frustração do pessoal que esculpiu um destes moais caídos ao ver o fruto de seu trabalho ser perdido desta forma.

Ilha de Páscoa, Easter Island, moai, Rano Raraku, fábrica de moais

Rano Raraku, a fábrica de moais

Saindo de Rano Raraku, vamos direto para o Ahu Tongariki, um dos principais cartões postais da ilha. Apesar de pequeno, comparado com o tamanho e quantidade de moais em Rano Kau, a briga é de igual para igual em termos de beleza. É aqui, que vemos pela primeira vez moais em pé, perfilados lado a lado em sua plataforma (Ahu) e temos uma noção de sua imponência nos tempos em que foram erguidos.  Ele foi reconstruido em 1992 com o patrocínio de uma empresa japonesa e por isto não é difícil você ouvir algum morador da ilha os chamando de “moais japoneses”. Aqui a entrada é livre e você pode visitar e observar seus 15 moais, 24 horas por dia, o que é uma boa pedida para assistir ao nascer do sol, uma das vistas mais fantásticas na Ilha de Páscoa.

Ahu Tongariki, Ilha de Pascoa, Moai, Chile

Ahu Tongariki

Ahu Tongariki, Ilha de Pascoa, Moai, Chile

Ahu Tongariki

Saindo do Ahu Tongariki, temos um pequeno local chamado Puohro, na verdade um pequeno cercadinho com uma pedra ao centro. Segundo o guia, esta pedra porosa era usada como uma espécie de corneta, na qual soprando em um furo em sua lateral, conseguiria-se um som que poderia ser ouvido em longas distâncias. Estou falando no condicional porque ninguém do nosso grupo e um de outro grupo que estava por lá no mesmo momento, conseguiu fazer a pedra tocar e os dois guias locais, se recusaram a tentar. Fiquei imaginando se aquilo realmente funciona ou se é uma pegadinha com os turistas.

Chile, Ilha de Pascoa, PuohroChile, Ilha de Pascoa, Puohro

Puohro: realidade ou pegadinha com os turistas

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Puohro: você colocaria sua boca ali?

E a poucos quilômetros de Puohro temos Papa Vaka, que reúne diversos petroglifos, desenhos em baixo relevo, feitos nas rochas que cobrem o chão do lugar. Durante uma caminhada de alguns minutos podemos ver diversos desenhos que refletem a cultura do povo Rapa Nui. As figuras geralmente representam atividades relativas ao mar e pesca, como atuns, tubarões, tartarugas e até polvos.

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Papa Vaka: coleção de petroglifos

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Papa Vaka: petroglifo de um atum

A nossa próxima parada é no Ahu Te Pito Kura, ou o “Umbigo do Mundo”. Aqui temos um Ahu que não foi restaurado e podemos ver a plataforma com os moais caídos a mais de 200 anos. Aqui encontramos o Paro, um dos raros moais dos quais se sabe o nome original, gigante com 9,8 metros e 74 toneladas.

Ahu Te Pito Kura, Chile, Ilha de Pascoa, umbigo do mundo

Ahu Te Pito Kura

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Paro, o maior moai instalado em um Ahu, com 9,8 metros e 74 toneladas

Mas nem só de moais vive o Ahu Te Pito Kura, aqui encontramos um importante local cerimonial da ilha. Cercada por um muro de pedras temos uma rocha circular que teria sido trazida pelo primeiro Rei da Ilha, Hotu Matu’a, da ilha Hiva,  na Polinésia, origem dos primeiros habitantes da Ilha de Páscoa.  Acredita-se que esta pedra possui grande dose de “mana”, poder espiritual dos Deuses. Independente de você acreditar nisto ou não, sente-se em uma das pequenas pedras que servem de bancos e experimente colocar uma bússola sobre esta pedra mística, você verá que ela “perde o norte”. Geólogos acreditam que esta pedra é na verdade um pequeno meteorito com propriedades magnéticas.

Ahu Te Pito Kura, Chile, Ilha de Pascoa, umbigo do mundo

Ahu Te Pito Kura

Experimente também relaxar com as mãos sobre a pedra, os mais sensíveis dizem que pode se sentir uma vibração que acalma o espírito. Confesso que tentei, mas não senti nada.

Ahu Te Pito Kura, Chile, Ilha de Pascoa, umbigo do mundo

Ahu Te Pito Kura

Já conhecemos diversos pontos da ilha, mas o dia ainda não acabou. Você irá perceber que como não existe congestionamentos na Ilha de Páscoa, que o dia fica muito produtivo, uma vez que não perdemos tempo no deslocamento de uma atração para outra. Nossa próxima parada é uma praia, afinal estando em uma ilha, tínhamos que ter direito a um pouco de areia, sol e mar. E eis que aqui estamos, em Anakena, uma pequena baia, de águas calmas e azuis. Aqui foi o local escolhido pelos primeiros colonizadores que chegaram da Polinésia para desembarcar, isto a 1300 anos. Ao observarmos o litoral da Ilha de Páscoa, em geral formado de rochas assoladas pelas ondas, fica fácil entender o porque da escolha.

Em Anakena encontramos barraquinhas onde podemos comer e beber. Elas lembram um pouco as barraquinhas das praias brasileiras e são um dos únicos lugares, além de Hanga Roa, onde encontramos comida a venda. sendo assim, venha preparado para passar algumas horas nesta bela praia e comer um espetinho e nadar em suas águas e não se esqueça do protetor solar.

Anakena, Chile, Ilha de Pascoa, praia

Anakena

Anakena, Chile, Ilha de Pascoa, praia

As palmeiras de Anakena foram importadas do Taiti

Sendo o berço da cultura Rapa Nui, Anakena foi um dos pontos mais importantes da Ilha e centro religioso da tribo real Miru, e este lado espiritual é visivel pelos ahus existentes na área: o imponente Ahu Nau Nau, restaurado em 1978 e o Ahu Ature Huki, com seu moai solitário. Os moais aqui estão muito bem conservados, pois após terem sido derrubados, foram cobertos pela areia e com isto foram poupados da corrosão. Assim podemos ver os detalhes dos olhos, mãos, orelhas e boca.

Anakena, Chile, Ilha de Pascoa, praia

Ahu Nau Nau e ao fundo o Ahu Ature Huki, em Anakena

Anakena, Chile, Ilha de Pascoa, praia

As barraquinhas servem lanches, espetinhos e bebidas

Anakena, Chile, Ilha de Pascoa, praia

vista da Praia de Anakena

Chegamos ao fim de nosso primeiro dia e tenho certeza de que você gostou do que viu e deve ter feito muitas fotos lindas. Agora é hora de ir para o Hotel, tomar um banho e sair para jantar. E lembre-se, amanhã tem mais, sendo assim, aproveite para descansar também.

Dicas Importantes para aproveitar melhor seu passeio:

  • Não se esqueça de levar protetor solar, chapéu ou boné, óculos de sol, sapatos para caminhada, repelente de insetos,
  • Leve também uma camisa de manga comprida, pois caso você se queime, mesmo com o protetor solar, ela irá proteger seus braços,
  • Leve roupa de banho para aproveitar as águas de  Anakena
  • Não esqueça sua máquina fotográfica
  • Importante, leve água e algum lanche, pois são raros lugares que vendem comida e bebida na ilha,
  • Nunca dirija com o tanque de combustível na reserva, você somente encontra posto de gasolina em Hanga Roa,
  • Dirija com cuidado e atenção e respeite as leis de transito. E muito cuidado com os cavalos que podem atravessar a pista a qualquer momento.

 

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This Post Has 3 Comments
  • Excelentes as dicas e as fotos, texto com linguagem objetiva para uma boa visita à ilha de Páscoa.
    Gostei muito dos roteiros descritos, parabéns pelo belo trabalho.
    Obrigado por compartilhar esta experiência !

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