Ilha de Páscoa: 3 roteiros para conhecer seus mistérios – parte 3

Ilha de Páscoa: 3 roteiros para conhecer seus mistérios – parte 3

Este é o terceiro dia de nosso roteiro pela Ilha de Páscoa e a ideia é dedicar um bom tempo para conhecer Hanga Roa, a única cidade em toda ilha, e fruto da estratégia inicial da colonização Chilena, que em 1903 arrendou a ilha para uma empresa escocesa, a “Easter Island Exploitation Company”. Com isto a ilha inteira foi transformada em uma fazenda de criação de ovelhas, que chegavam a 70.000 animais.

Ilha de Páscoa: 3 roteiros para conhecer seus mistérios – parte 1

Ilha de Páscoa: 3 roteiros para conhecer seus mistérios – parte 2

Mas havia um problema… os habitantes locais. Com medo de ter suas ovelhas roubadas pelo povo, a empresa confinou toda população em uma área da ilha: Hanga Roa e esta situação durou até 1953, quando terminou o arrendamento. Hoje, apesar de não haver mais este confinamento, são poucas as pessoas que moram fora de Honga Roa.

Você muito provavelmente já terá tido tempo de visitar alguns lugares e restaurantes próximos a seu hotel, e neste terceiro dia o objetivo é conhecer melhor esta pequena cidade.

Como você pode ver pelo mapa abaixo, vamos explorar além de Hanga Roa, a costa oeste da ilha, que acaba sendo uma área menos badalada pelos visitantes, pela falta de boas estradas e de Ahus restaurados, mas que vale a pena o passeio.

Ilha de Páscoa, Chile, roteiro de 1 dia

Vamos começar nosso dia caminhando por Tahai, um conjunto de 3 Ahus: Vai Uri, Tahai e Ko Te Riku, que tem o único moai com olhos, ainda que uma imitação, mas que nos ajudar a imaginar como eram os imponentes moais, antes de serem destruídos pelas guerras internas.

vista aérea de Tahai

vista aérea de Tahai

Ahu Vai Uri, Chile, Ilha de Pascoa, por do sol, Tahai

Da esquerda para a direita temos: O Ahu Vai Uri, Ahu Tahai e o Ahu Ko Te Riku. Ao centro temos uma rampa para canoas

Esta área é um rico sítio arqueológico, onde além dos 3 Ahus, encontramos vestígios de outras construções. Como o “hare moa”, que era usado como galinheiro, o “hare paenga”, circulo ovalado de pedras que era a base das antigas casas, cujas paredes e teto eram feitos de arbustos. Temos também uma rampa para canoas, atrás do Ahu Tahai, o que possibilitava aos antigos pescadores ancorarem seus barcos de pesca. É importante notar que a Ilha de Páscoa possui apenas 2 praias com areia, sendo assim, cada uma das vilas precisavam construir estas rampas para que as canoas dos pescadores tivessem acesso ao mar.

Chile, Hanga Roa, Ilha de Pascoa

Uma cabeça de moai perdida

Ahu Vai Uri, Chile, Ilha de Pascoa, por do sol, Tahai

Ahu Ko Te Riku: tem o único moai da ilha com olhos, mas eles são imitações

Ahu Vai Uri, Chile, Ilha de Pascoa, por do sol, Tahai

Atrás do Ahu Tahai temos uma rampa para barcos construída pelos antigos moradores desta área

Chile, Hanga Roa, Ilha de Pascoa

Ahu Vai Uri e Ahu Tahai

Caminhando alguns poucos metros temos o Museu da Ilha de Páscoa. O museu não impressiona pelo seu tamanho, e o preço simbólico de 1.000 pesos (~US$ 2,00) já é um indicativo para baixarmos nossas expectativas. O acervo é composto em grande parte por fragmentos de moais, ferramentas utilizadas para esculpi-los e muitos cartazes. E foram os cartazes que me chamaram mais a atenção. Com eles você consegue entender muito a respeito de como os moais foram esculpidos, transportados e instalados nos Ahus. O ponto alto do acervo é um olho de moai original, o único existente em toda a ilha.

Chile, Ilha de Pascoa, Museu

Museu da Ilha de Páscoa

Chile, Hanga Roa, Ilha de Pascoa

Um olho original de Moai

Chile, Ilha de Pascoa, Museu

Este cartaz explica em detalhes a arquitetura de um Ahu

Após a visita ao museu, vamos pegar o carro e explorar a costa oeste da ilha. A poucos minutos de Hanga Roa temos o Hanga Kio’e, ou traduzindo literalmente “Baia do Rato”, e aqui encontramos um moai solitário. Vale a pena parar o carro e apreciar a vista do Oceano Pacifico.

Ahu Vai Uri, Chile, Ilha de Pascoa, por do sol, Tahai

Moai solitário em Hanga Kio’e

Ahu Vai Uri, Chile, Ilha de Pascoa, por do sol, Tahai, Hanga Kioe

Fantástica vista do mar

Basta percorremos algumas centenas de metros e a estrada de terra vai se degradando, até que só seja possível transitar por ela usando um carro 4×4, o que não será problema, pois todos os carros alugados na ilha o são. Aproveite a oportunidade para olhar a natureza, os cavalos selvagens que pastam nos gramados, e a costa rochosa da ilha, sempre castigada pelas ondas.

Ahu Vai Uri, Chile, Ilha de Pascoa, por do sol, Tahai

Não demora muito e a estrada vai se tornando uma coleção de buracos

Ahu Vai Uri, Chile, Ilha de Pascoa, por do sol, Tahai, Hanga Kioe

cavalos selvagens

Ahu Vai Uri, Chile, Ilha de Pascoa, por do sol, Tahai

A eterna luta do mar contra as rochas. Advinha quem esta ganhando?

Dirigindo mais alguns quilômetros pela estrada, chegamos ao Ahu Te Peu, um tesouro arqueológico visitado por poucos turistas. Após estacionar o carro, caminhe em direção ao mar. De cara encontramos as ruínas das casas barco (hare paenga), fundações de pedra, em forma elíptica, e as paredes e tetos eram feitos com arbustos.

Ahu Vai Uri, Chile, Ilha de Pascoa, por do sol, Tahai

Iniciando nossa caminhada em direção ao mar vemos o que sobrou do Ahu Te Peu

Ahu Vai Uri, Chile, Ilha de Pascoa, por do sol, Tahai

Ruínas de uma casa barco

Ahu Vai Uri, Chile, Ilha de Pascoa, por do sol, Tahai

Ahu Te Peu: castigado pelas guerras e o tempo

Quando chegamos ao Ahu podemos ver em detalhes seu grau de destruição. É difícil reconhecer os seguimentos dos moais em meio as pedras da fundação. Acredita-se que neste local, foram construídos mais de um Ahu, e que as pedras das fundações anteriores e moais quebrados eram usados na fundação do Ahu que estava sendo erguido.

Na parte de trás do Ahu podemos ver a perfeição do acabamento de suas paredes, corpos de moais e algumas cabeças.

Ahu Tepeu, Chile, Ilha de Pascoa, por do sol, Tahai

Tenha cuidado ao caminhar pelo Ahu Te Peu: as rochas soltas podem causar ferimentos

Ahu Tepeu, Chile, Ilha de Pascoa, por do sol, Tahai

Cabeça solitária

Ahu Tepeu, Chile, Ilha de Pascoa

este ahu chama a atenção pelo acabamento das rochas da parede traseira

Este é o ponto mais distante de ser atingido pela estrada, mas se você quiser pode caminhar pela trilha a frente, mas lembre-se de estar sempre acompanhado e levando água e comida, uma vez que não há qualquer tipo de infraestrutura na região. A caminhada de Ahu Te Peu, até a praia de Anakena tem 13,5 km e demora em média 5 horas.

Se você esta em dúvida se eu fiz esta caminhada ou não, sinto desaponta-lo, mas eu não me senti nem um pouco animado com isto, já que estava sozinho. Quem sabe em uma próxima visita eu faço não apenas esta caminhada, mas as outras trilhas que a ilha oferece.

Seguindo a estrada, ela começa a retornar para a “civilização” e nossa próxima parada será em uma caverna: Ana Te Pahu. Esta caverna é formada por uma série de tubos de lava com mais de 7 km de extensão e seu tamanho foi ideal para que os antigos moradores da ilha a usassem para dormir e morar. Devido a grande quantidade de bananeiras em sua entrada ela também é conhecida como Caverna das bananas.

Ana Te Pahu, Chile, Ilha de Pascoa, por do sol, Tahai

Bananeiras vistas da entrada da caverna Ana Te Pahu

Ahu Vai Uri, Chile, Ilha de Pascoa, por do sol, Tahai

aqui encontramos vestígios da ocupação da caverna no passado

Ana Te Pahu, Chile, Ilha de Pascoa, por do sol, Tahai

Dicas básicas de segurança em cavernas: nunca as explore sozinho, mantenha a cabeça baixa e leve uma lanterna

Voltando a estrada seguimos em direção a Hanga Roa e ainda vamos chegar lá a tempo de passar mais algumas horas antes do anoitecer. Uma boa opção é aproveitar as águas azuis do pacífico para fazer um mergulho. A Orca Diving Center, oferece mergulhos na baia de Honga Roa, a uma profundidade entre 18 e 27 metros, por US$ 50,00. Caso não queira mergulhar, eles oferecem um passeio de barco até as ilhotas onde eram feitas as Cerimonias do Homem Pássaro, por US$ 40,00.

Chile, Hanga Roa, Ilha de Pascoa

Nesta baia encontramos empresas que oferecem passeios de barco e mergulho

Chile, Hanga Roa, Ilha de Pascoa

grupo se preparando para o mergulho

Chile, Hanga Roa, Ilha de Pascoa

O ponto de mergulho fica a uns 500 metros de Honga Roa

Para terminar o dia você pode fazer algumas compras. No Mercado Artesanal você encontra diversos tipos de artesanato, mas os preços são caros. Uma boa dica é procurar diretamente os artesãos que esculpem as obras. Os mais famosos são Luis Hey, com sua loja Manaroa na rua da igreja e Bene Turi (Aukara), atrás do escritório da LAN.

Chile, Hanga Roa, Ilha de Pascoa, Mercado Artesanal

Mercado Artesanal

Chile, Hanga Roa, Ilha de Pascoa, Mercado Artesanal

Mercado Artesanal: variedade de peças, mas os preços são altos

Chile, Hanga Roa, Igreja, Ilha de Pascoa

Igreja de Honga Roa

Agora é hora de um dos pontos altos da viagem a Ilha de Páscoa. O pôr do sol em Tahai. Assim como o local do Ahu Tongariki parece ter sido escolhido devido a beleza do nascer do dia lá, a localização de dos Ahus de Tahai deve ter algo a ver com a beleza de seu pôr do sol.
O primeiro passo é você confirmar em qual horário o sol esta se pondo e chegar alguns minutos antes para escolher um bom lugar. Se puder, vá lá todos os dias, afinal pequenas mudanças climáticas fazem com que o resultado do pôr do sol seja completamente diferente, e na minha opinião é muito relaxante sentar na grama e ficar esperando o sol sumir no horizonte.

Ahu Vai Uri, Chile, Ilha de Pascoa, pôr do sol, Tahai

o concorrido pôr do sol em Tahai

O sol se pondo lentamente atrás do Ahu Vai Uri

O sol se pondo lentamente atrás do Ahu Vai Uri

Ahu Vai Uri, Chile, Ilha de Pascoa, por do sol, Tahai

sem palavras

Ahu Vai Uri, Chile, Ilha de Pascoa, por do sol, Tahai

belo e dramático

Como vimos em três dias conseguimos conhecer 99% da Ilha de Páscoa, mas não é por isto que você não pode ficar mais tempo por lá. Eu fiquei cinco dias, e aproveitei para visitar mais de uma vez os locais que mais gostei. Mas se você quer ficar por lá mais tempo, mas gosta de fazer coisas diferentes, a ilha oferece outras opções. Por exemplo, você pode alugar uma bicicleta ou cavalgar, o que lhe dará uma perspectiva totalmente diferente deste lugar misterioso.

 

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This Post Has One Comment
  • Oi, Edson. Tudo bem? 🙂

    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.

    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais e feliz ano novo,
    Natalie – Boia

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