Ilha de Páscoa: 3 roteiros para conhecer seus mistérios – parte 2

Ilha de Páscoa: 3 roteiros para conhecer seus mistérios – parte 2

O segundo dia de nosso roteiro é um dia cheio e especial. Especial pelas belezas que vamos conhecer e também especial pela oportunidade de conhecer o local do mais importante e famoso ritual do povo Rapa Nui: A cerimônia do Homem Pássaro. Conforme você pode ver marcado no mapa, desta vez não vamos atravessar a ilha, mas sim nos focar na região sul.

Ilha de Páscoa, Chile, roteiro de 1 dia

em nosso segundo dia vamos nos concentrar no sul da ilha

Hoje precisamos acordar cedo para ver o dia nascer no Ahu Tongariki. Pergunte ao pessoal do hotel ou algum guia turístico a que horas o sol esta nascendo (varia um pouco de acordo com a época do ano) e procure sair uns 50 minutos antes do hotel. Com isto você tem tempo de sobra para chegar lá e mesmo que se perca, como eu, ainda dá tempo de achar o caminho correto.

Eu sai do hotel por voltas das 6h10, com uma noite muito escura e o céu completamente tomado por estrelas.  Estava seguro que lembrava o caminho até lá, até que percebi que isto não era verdade. As ruas desertas ajudam com relação ao fato de não termos transito, mas é um pesadelo quando se quer pedir alguma informação. De repente vi um carro entrando em uma bifurcação a direita e decidi segui-lo. Afinal, onde mais alguém iria a esta hora da manha? Enquanto o seguia, confesso que pensei no risco daquele carro estar indo para outro lugar, mas como teria mais algumas manhãs pela frente, decidi continuar arriscando e valeu a pena. Em alguns minutos chegamos lá e para minha surpresa já havia um grupo de pessoas esperando. Alguns muito animados, outros com cara de sono, praticamente dormindo em pé.

ahu-tongariki

grupo de madrugadores esperando o nascer do sol

Preparei o tripé em uma área com menos movimento, e comecei a fazer as primeiras fotos. O céu estava tomado de nuvens e, enquanto o sol levantava lentamente no horizonte sobre o mar, as nuvens iam mudando de cor e variavam do amarelo ao azul, passando por tons de vermelho. Realmente valeu muito a pena acordar cedo e ver este que foi para mim um dos mais bonitos dias que vi nascer. Foram 40 minutos ali, observando de queixo caído o sol nascer e fazendo algumas fotos. Um momento tão emocionante que esquecemos totalmente do sono, apenas ficamos pensando em como a natureza pode ser tão bela.

ahu-tongariki

o sol começa a aparecer no horizonte e transforma o céu em uma aquarela

Ahu Tongariki, Chile, Ilha de Pascoa, moai

ai esta ele, tímido e lentamente aparecendo: o sol

ahu-tongariki

As sombras dos moais se projetam pelo chão, quase atingindo as montanhas ao fundo

Quando o sol já havia iluminado tudo e as nuvens voltado ao tom branco, bateu uma grande fome e me lembrei que não havia tomado nem banho, nem comido. Assim, a próxima parada é voltar para o hotel, tomar um banho e café da manhã. O caminho para Hanga Roa é rápido e não demorei a chegar no hotel: as 9h10 já havia tomado banho e café, ou seja estava pronto para meu próximo destino: o vulcão Rano Kau e a Aldeia Cerimonial de Orongo.

Dirigindo em direção ao aeroporto, vemos as placas indicando Rano Kau e Orongo. Ao entrarmos na área do parque, começamos a subir uma pequena estrada de terra. Faltando uns 800 metros para a Orongo vemos uma placa na beira da estrada: Rano Kau. Não perca tempo, estacione o carro e caminhe até lá. Rano Kau é um vulcão inativo e sua cratera majestosa tem 1600 metros de diâmetro e 200 metros de profundidade. O lago que vemos tem uma lâmina d’água de 10 metros e é tomada pela vegetação. Por razões de segurança não é permitida a descida até o lago, mas existe uma trilha que margeia a borda da cratera e que nos dá uma bela visão do vulcão e do mar.

Chile, Ilha de Pascoa, Orongo, Rano Kau

Cratera do Vulcão Rano Kau

detalhe da vegetação que toma o lago da cratera do vulcão

Cratera do vulcão Rano Kau: a vegetação e o céu colorem a água

Enquanto caminhamos pela borda do vulcão temos uma bela vista do aeroporto e Hanga Roa

Enquanto caminhamos pela borda do vulcão temos uma bela vista do aeroporto e Hanga Roa

Após termos visitado Rano Kau é hora de voltar para a estrada e seguir montanha acima rumo a Orongo. A entrada é paga, e você vai usar o mesmo ingresso que comprou quando visitou Rano Raraku. Caso ainda não tenha ido lá você pode comprar o ingresso aqui (US$ 60,00) e guardá-lo para sua visita a Rano Raraku.

Centro de Visitantes de Orongo

Centro de Visitantes de Orongo

Orongo era uma aldeia cerimonial, ocupada apenas durante alguns momentos do ano, para realização de cerimônias. A mais importante delas era a cerimônia do Homem Pássaro, que acontecia todos os anos em setembro. Os representantes de cada uma das 12 tribos se reuniam e os chefes indicavam seus campeões. Quando as primeiras andorinhas chegavam para botar seus ovos nas ilhotas, os escolhidos tinham que descer o penhasco de 300 metros e nadar até a ilha de Motu Nui (escapando dos tubarões). O primeiro que conseguisse pegar um ovo e voltar nadando, escalar o penhasco (300 metros, lembra) e chegar em Orongo, claro que com o ovo ileso, era coroado como Homem Pássaro e o líder de sua tribo, coroado como Rei da Ilha por ano. Esta foi a forma que as tribos usaram para terminar com um período de guerras internas, que destruiu os moais e consumiu os parcos recursos da ilha e funcionou entre 1600 e meados de 1800, quando missionários cristões reprimiram o cerimonia.

Nesta visita não iremos ver ninguém tentando fazer esta proeza, mas as casas de pedra que eram usadas pelos representantes das tribos, foram restauradas e podemos ver como eram a séculos atrás, e também podemos ver as ilhotas, cravadas no mar azul.

Para conhecer a aldeia, o melhor a fazer é pegar o mapa distribuído na entrada e seguir a trilha de 900 metros, na qual encontramos 10 pontos de observação e podemos ler a explicação a respeito de cada um deles no folheto. Com isto além de aprendermos bastante sobre a cultura Rapa Nui, ainda temos a certeza de que não perdemos nada na visita.

Chile, Ilha de Pascoa, Orongo, Rano Kau

Casas de pedra usadas pelos participantes das cerimônias

Rano Kau

As ilhotas (motus): Motu Kao Kao, Motu Iti e a maior das três:Motu Nui

Saindo de Orongo encontramos na beira da estrada uma placa para Ana Kai Tangata, próximo a uma área de estacionamento. Seguindo em frente, chegamos a uma escada que nos leva ao fundo da baia. O mar azul e transparente é lindo e vale a pena poder observar esta cena de perto. Chegando ao fundo da baia vemos a caverna lá existente: Ana Kai Tangata (Ana significa Caverna). Em seu teto vemos pinturas de pássaros. Este é um excelente lugar para sentar e ver o mar, seja em um dia calmo e sem ondas, seja em um dia de mar agitado. E não se preocupe, a maré na ilha varia apenas um metro e o mar não chega até a caverna.

Ana Kai Tangata, Chile, Ilha de Pascoa

A baia em frente a Ana Kai Tangata

Ana Kai Tangata, Chile, Ilha de Pascoa

Ana Kai Tangata: no interior da caverna podemos ver pinturas de pássaros

Ana Kai Tangata, Chile, Ilha de Pascoa

detalhes das pinturas no teto

Ana Kai Tangata, Chile, Ilha de Pascoa

tire um tempo para sentar e observar o mar

Nosso próximo destino é o Hanga Tee Vaihu, localizado em uma linda baia e com uma vista privilegiada do mar. Aqui temos uma plataforma com 8 moais caídos e três grandes pedras vermelhas, chamadas de pukao, e que representavam um cocar ou chapéu dos moais. Temos ainda em frente aos moais, um grande circulo formado de pedras. O seu nome é Paina e funcionava como uma praça que era usada em cerimonias. Quando um filho queria homenagear a memória de seus pais, fazia um grande boneco de madeira, o colocava no centro do circulo, e depois subia no seu topo e contava feitos memoráveis deles.

Enquanto estiver por aqui, aproveite para andar próximo ao mar e observar as pedras vulcânicas sendo castigadas pelas ondas, e não se esqueça de tomar cuidado com os cavalos selvagens que aproveitam o espaço aberto para galopar.

Chile, Hanga Tee Vaihu, Ilha de Pascoa

Hanga Tee Vaihu: Paina, circulo usado em cerimônias pelos antigos moradores

Chile, Hanga Tee Vaihu, Ilha de Pascoa

Hanga Tee Vaihu: 8 moais e 3 pukaos

Acabei de comentar sobre os pukaos, um cilindro de pedra vermelha que era colocado sobre os moais. O significado dos pukaos é incerto: alguns dizem que seria um penteado, outros que seria um chapéu ou cocar e há outros que afirmam ser um turbante. Assim como os moais tinha um lugar único de fabricação, Rano Raraku, os pukaos também era feitos em apenas um lugar da ilha: a cratera do vulcão Puna Pau. Todos eles eram produzidos aqui e depois transportados até a plataforma juntamente com os moais.

Chile, Ilha de Pascoa, pukao, Puna Pau

Puna Pau

Os pukaos foram um acessório mais recente na história dos moais; acredita-se que apenas a partir do século 15 é que eles tenham começado a serem usados. O resultado disto é que um pequeno número de pukaos foi esculpido, algo em torno de 100. A pedra vulcânica de Puna Pau é macia, o que facilita ser esculpida, e tem um alto teor de ferro, e lhe confere a cor vermelha.

Chile, Ilha de Pascoa, pukao, Puna Pau

pukaos abandonados antes de serem transportados para seu destino final

Chile, Ilha de Pascoa, pukao, Puna Pau

Imagine a dificuldade de remover um pedaço de pedra de 10t do interior desta cratera

Nosso último destino no roteiro de hoje é o Ahu Aviki, uma plataforma com 7 moais, que foi restaurada em 1960 e que esta em ótimo estado de conservação, apesar de terem sido esculpidos por volta de 1400 DC. Esta plataforma, diferentemente das demais, se encontra no interior da ilha, longe 3 quilômetros do mar, e os moradores desta vila se dedicavam a agricultura, diferentemente das vilas litorâneas que se dedicavam à pesca e navegação. Bom, isto fecha nosso segundo dia na ilha e é hora de voltar ao hotel, para descansarmos e nos prepararmos para o tour de amanha.

Ahu Aviki, Chile, Ilha de Pascoa, moai

Ahu Aviki

 

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