Espaço do Leitor: Portugal e Galícia por Rafael Cavalcanti

Espaço do Leitor: Portugal e Galícia por Rafael Cavalcanti

No espaço do leitor de hoje, temos o relato de Rafael Cavalcanti, que nos conta como foi sua primeira viagem a Europa, para conhecer dois países especiais: Portual e Espanha:

“Depois de algumas semanas de programação, enfim chegou a sonhada hora da partida: embarquei para Portugal, naquela que foi minha primeira viagem à Europa. A escolha por Portugal era natural, por causa da língua, por ser um país barato dentro da Europa, e também pelos muitos elogios que li e ouvi a respeito das belezas naturais, históricas e arquitetônicas. E decidi também que iria visitar a Galícia, que fica a apenas três horas de ônibus do Porto.

Nessa fase pré-viagem, cometi um pequeno erro: planejei muito bem a viagem até Lisboa mas, do Porto para cima, faltou ler um pouco mais sobre as cidades, as distâncias e os locais que queria visitar. Não foi nada realmente grave, mas deixei de ver algumas coisas por pura falta de organização. Como o dinheiro era pouco, optei por ficar em pensões, hostels e hotéis mais baratos. Tinha ouvido falar que as pensões europeias são excelentes, e não me arrependi.

Primeira parada: Ilha da Madeira

A Madeira é linda. Depois do sufoco que passei no avião – que não conseguia pousar por causa dos ventos fortes – foi um êxtase ver a beleza da baía do Funchal, andar pelos modernos túneis, pontes e viadutos, observar os prédios em estilo colonial, caminhar pela marina da cidade e desbravar o centro velho.

Nos três dias que fiquei na ilha, visitei a Freguesia do Monte (com direito a descida de carrinho de palha), as belíssimas piscinas naturais de Porto Moniz (uma viagem de três horas em um ônibus muito confortável, e que custa apenas 5 euros), e um bairro chamado Curral das Freiras, o único ponto da ilha de onde não se vê o mar.

Jardim Tropical, Monte, Ilha da Madeira, Portugal

Jardim Tropical na Freguesia do Monte

Porto Moniz, piscinas naturais, Portugal, Ilha da Madeira

Porto Moniz: mar e piscinas naturais

Quem vai a Curral das Freiras deve se programar bem, principalmente aos domingos: os intervalos dos ônibus são grandes, e no bairro, além de almoçar bem e fazer pequenas compras, não há muito mais o que fazer. O ideal é juntar o Curral com alguma outra programação leve, por exemplo, uma ida à Câmara de Lobos, o bairro pesqueiro local.
A culinária da Madeira também é incrível. Destaques para atum com milho frito (polenta), carne de vinho e alhos (imperdível!), espetada com batata frita (uma versão local, em menor escala, do tradicional churrasco) e bacalhau com natas (esse eu lamentei por não ter podido provar). Prove também a cerveja local, a Coral (gostei mais do que as do continente) e não deixe de tomar o vinho madeirense.

Por falar em vinho, vale a pena fazer a visita guiada na Blandy´s (Rua dos Ferreiros, 191, Funchal – http://www.blandy.com/pt/empresas/blandysmadeira.html). Além de conhecer mais sobre a bebida, ainda tem uma degustação especial no final, com um dos melhores vinhos que já tomei.

Fiquei hospedado na pensão Residencial Zarco (http://www.residencialzarco.com/), um dos melhores custo-benefícios de toda a viagem. Por 25 euros/dia, fiquei sozinho em um quarto enorme, com cama de casal e banheiro, e ainda tinha café da manhã (dois pães, queijos, manteiga, café e suco de laranja). Para melhorar, a pensão ficava a dez minutos do centro histórico (zona de restaurantes e boêmia), a cinco minutos do ponto de ônibus para ir a Porto Moniz e Curral das Freiras, e pertinho do ponto de venda e embarque do ônibus turístico (o famoso hop on-hop off). Os funcionários também foram muito atenciosos, deram várias dicas, sugestões e ideias de programa.

Segunda parada: Lisboa

Lisboa é encantadora. A arquitetura sinuosa, quase feminina, as ruas antigas, as muitas histórias que a cidade tem para contar, a Praça do Comércio, o Tejo, as ladeiras, o fado…é algo que vai te conquistando aos poucos e se torna arrebatador. Confesso que saí de Lisboa, mas Lisboa ainda não saiu de mim.

O passeio pela cidade em si durou dois dias: visitei o Oceanário de Lisboa, a Torre de Belém, o Monumento aos Descobridores, o Mosteiro dos Jerônimos, a pastelaria de Belém, os estádios da Luz (Benfica) e José de Alvalade (Sporting) – que são imperdíveis para os amantes de futebol – e o Castelo de São Jorge, onde vale a pena fazer a visita guiada, que fica duas vezes mais interessante. Aqui tem o endereço e os horários: http://www.castelodesaojorge.pt.

do alto do Padrão do Descobrimento temos esta bela vista da Praça do Império, Museu Nacional de Arqueologia, Portugal, Belém, Lisboa

do alto do Padrão do Descobrimento temos esta bela vista da Praça do Império e do Museu Nacional de Arqueologia

Castelo de São Jorge, Lisboa, Portugal

Castelo de São Jorge

Para ir ao Estádio da Luz, é fácil: basta pegar o metrô na linha azul e descer na estação Colégio Militar/Luz. Há uma saída sinalizada no metrô, e depois de subir as escadas e deixar a estação, é necessário virar à esquerda e seguir reto até encontrar uma passagem de pedestres que fica por baixo de um viaduto. Essa passagem vai sair em um dos acessos ao estádio. Horários e preços estão aqui: http://www.slbenfica.pt/pt-pt/est%C3%A1dio/visitas.aspx. Vale mandar um e-mail um dia antes, se for possível, porque aí eles garantem a visita mesmo que a pessoa esteja sozinha – ou com um grupo bem pequeno.

Já o José de Alvalade, o estádio do Sporting, fica perto da estação Campo Grande, na linha verde do metrô. Além do estádio, visite também o Museu Mundo Sporting, e peça para a funcionária responsável guiá-lo na visita. Ela conta histórias incríveis sobre os atletas, as conquistas e os feitos do Sporting. É simplesmente sensacional. Os horários e preços estão aqui: http://www.sporting.pt/Servicos/Eventos/visitasguiadas.asp .

Museu do Sporting, Lisboa, Portugal

Museu do Sporting

É possível visitar os dois estádios no mesmo dia, como eu fiz. Marquei a visita na Luz para as 10h, e saí de lá quase 11h. Dali, peguei um táxi para o José de Alvalade, que fica a uns dez minutos de distância (o trajeto custou 5 euros), e deu tranquilamente para fazer a visita guiada das 11h30.

Depois de muito futebol e parte histórica, fui a Sintra no terceiro dia. Visitei o Palácio da Pena – no qual fiz a recomendadíssima visita guiada, que custa 5 euros –, a Pastelaria Piriquita e a Quinta da Regaleira. Depois, peguei um ônibus e fui conhecer Cascais. Não me arrependi, lógico, mas, se tivesse mais tempo, gostaria de ter explorado Sintra um pouco mais. Seguindo a sugestão do Edson, quero me hospedar em Sintra da próxima vez que for a Portugal, para conhecer todo o entorno da cidade.

Quinta da Regaleira, Sintra, Portugal, Lisboa

Quinta da Regaleira

Se for fazer o circuito Sintra-Cascais, considere comprar o bilhete de 12 euros, vendido nas estações de trem de Lisboa. Com ele, você tem passe livre por 24h nos trens de ida e volta para as duas cidades, nos ônibus que circulam em Sintra e na linha que liga Sintra a Cascais (incluindo o ônibus que passa pelo Cabo da Roca).

Para terminar Lisboa e arredores, fui a Fátima no quarto dia e, depois de conhecer o santuário, peguei um táxi até o Mosteiro da Batalha. O táxi deu 32 euros, porque, quando fazem esse trajeto, os motoristas não cobram a volta, só a ida e a espera. Vale a pena, o Mosteiro da Batalha é belíssimo.

Fátima, Portugal

Fátima

Mosteiro de Batalha, Portugal

Mosteiro de Batalha

Outra boa dica de Lisboa é comprar o Lisboa Card. Nem tanto pelos monumentos, já que o cartão dá apenas desconto na maioria deles, mas pelo transporte público. Andar de metrô, ônibus, elevadores e bonde, de graça e durante 72 horas, é uma grande economia, e ao mesmo tempo, te dá bastante liberdade para andar pela cidade.

Minha dica de hospedagem é a Pensão Praça da Figueira, que, como o nome diz, fica na Praça da Figueira, no centro da cidade. Por 37 euros/dia, fiquei em um quarto grande, com cama de casal, frigobar, vista para a praça e um banheiro enorme. A localização é excelente, próxima do metrô, da Estação do Rossio, do bondinho que sobe para o Castelo de São Jorge e da Praça do Comércio. O site da pensão: http://www.pensaopracadafigueira.com/

Lisboa, Portugal, Praça da Figueira

Praça da Figueira

Terceira parada: Porto

Se Lisboa é feminina e sinuosa, o Porto é masculino, retilíneo e de uma beleza plástica incrível. É uma cidade de arquitetura mais sóbria, linhas mais retas, ruas com menos curvas e avenidas maiores e mais largas, mesmo na parte mais antiga. Ao mesmo tempo, a vista das pontes sobre o Tejo é arrebatadora e tira o fôlego a qualquer hora, faça chuva ou faça sol.

No hostel que fiquei, estava incluído um walking tour. Fiz e recomendo: a parte turística do Porto é menor que a de Lisboa e dá para conhecer muito bem a pé. O guia mostrou os principais pontos turísticos, as praças e monumentos da cidade, contou histórias a respeito do Porto, deu dicas sobre a noite a comida e a noite locais e levou para conhecer a parte mais antiga.

Rio Douro, Ponte Dom Luis I, Porto, Portugal

Cruzando a Ponte Dom Luís I sobre o Rio Douro: a esquerda temos Vila Nova de Gaia e a Direita o Caís da Ribeira

No segundo dia, um domingo, pretendia ir às cidades dos meus bisavós, Chaves e Vila Real, em Trás-os-Montes. Mas acordei tarde e os próximos ônibus para ambas só sairiam as 14h, o que me obrigou a mudar os planos: fui visitar Braga e Guimarães.

A falta de leitura sobre as atrações das duas cidades, porém, tornou o passeio mais complicado. O melhor é visitar Guimarães primeiro, já que há mais monumentos com horário para fechar, e ir no meio/fim da tarde para Braga (a viagem entre as duas cidades pode ser feita de ônibus e dura uma hora), onde a maior atração turística é a Sé, que tem um horário mais flexível.

Como não sabia disso, fui a Braga primeiro. Mas, ao descer do trem, me perdi, errei o caminho e acabei me atrasando, o que me obrigou a pegar o ônibus para Guimarães apenas as 16h10. Com isso, não consegui visitar o Palácio dos Guimarães e o Paço dos Duques de Bragança, que já estavam fechados. Ficou a lição: não dá para fazer bate-volta, ainda mais com duas cidades no caminho, sem um planejamento bem claro do que se vai fazer, dos horários e atrações de cada uma e das distâncias entre ambas.

Portugal, Braga

Braga

O terceiro dia foi dedicado ao Porto: visitei o Palácio da Bolsa, a Torre dos Clérigos (com a melhor vista da cidade), fui almoçar em Vila Nova de Gaia e tomar vinho na cave Taylor´s (três euros a degustação, com direito a três cálices). Para terminar o dia, fiz um passeio de barco pelo Rio Douro, com direito a ver o sol se pondo na foz. Incomparável!

O quarto dia foi dedicado a Trás-os-Montes. Comecei por Vila Real e planejava ir a Chaves, voltando a noite para o Porto, mas perdi o horário do ônibus para Chaves e acabei tendo que antecipar o retorno. Vila Real é uma cidade bonita, mas não tem nada de turístico, então, se quiser ir, não precisa dedicar muito tempo a ela.

Vila Real, Porgutal

Vila Real

Para fechar a região do Porto, fui a Coimbra no último dia, onde conheci a biblioteca e a universidade, comi um belo bacalhau no almoço e ainda fechei a tarde com uma “furada”: Portugal dos Pequenitos. Entrei achando que era um parque com a história de Portugal contada em brinquedos e, lá dentro, descobri que se tratava de um parque temático infantil. Portanto, só vale a visita se você estiver acompanhado de um ou mais “pequenitos”.

Coimbra, Portugal

Coimbra

O hostel que fiquei foi o Dixo´s (http://dixosoportohostel.com/), e acabei pagando um pouco mais para ficar sozinho em um quarto duplo sem banheiro no quarto. A localização é ótima e os funcionários são muito atenciosos, o clima é legal, mas, pesquisando mais um pouco, acredito que seja possível conseguir pensões mais baratas com banheiro no quarto.

Quarta parada: Pontevedra

Do Porto, cruzei a fronteira de ônibus até Vigo, já na Galícia (Espanha), e de lá peguei um trem até a vizinha Pontevedra, uma cidadezinha de 85 mil habitantes, onde fiquei três dias. Pontevedra é uma cidade interessante, com seus prédios baixos, suas ruas todas muito parecidas (é bem fácil se perder) e seu centro histórico único (é todo plano e as ruas se abrem em praças e mais praças). Também me chamou a atenção a grande quantidade de jovens, de crianças e de lojas de brinquedo. Todas essas características fizeram com que eu apelidasse Pontevedra de “cidade baixa” (no bom sentido).

Tenho amigos na cidade e por isso foi ótimo ficar três dias, mas, se esse não for o seu caso, talvez valha mais a pena conhecer Pontevedra em um bate-volta de trem, vindo de Santiago de Compostela (meia hora de distância) ou de La Coruña (uma hora e meia). Ao chegar na estação de trem de Pontevedra, pegue um táxi e vá até a cidade velha – é pertinho, a corrida fica em cinco euros – e vá explorar as ruas históricas. E não deixe de conhecer o museu, que é realmente bem interessante.

Quinta parada: La Coruña

La Coruña, na última ponta da Galícia, foi também a última parada da viagem. A cidade é mais conhecida por seu clube, o Deportivo La Coruña, onde jogaram Bebeto e Mauro Silva. O que, diga-se de passagem, é bastante injusto, porque La Coruña não é só o Deportivo (ou “Depor”, como eles gostam de chamar). É também uma cidade moderna, organizada, cheia de belezas naturais, históricas e arquitetônicas, com uma geografia única. E, apesar de estar na ponta da Galícia, não é tão isolada assim: de avião, fica a uma hora de Lisboa e a uma hora e meia de Madri.

La Curuña

La Curuña

A geografia de Coruña é curiosa: a cidade lembra uma grande ampulheta. Na parte de cima fica a cidade velha; à direita dela, o porto; e à esquerda, o passeio marítimo, com um calçadão enorme margeando toda a praia. E a parte de baixo da ampulheta é a região mais nova da cidade, com suas avenidas largas e arranha-céus.

Aproveitando que estava em LacCoruña, utilizei um dos dias que dispunha para visitar Santiago de Compostela, que fica a meia hora de trem. Para mim, Santiago pareceu pequena e fácil de conhecer em um bate-volta; além da região da catedral e da cidade velha, não vi muito o que fazer por lá, tanto que voltei no meio da tarde.

De volta a Coruña, fui conhecer a Casa das Ciências (http://mc2coruna.org/casa/) e o Domus (http://mc2coruna.org/domus/). São dois museus interativos onde se pode aprender cultura e ciência brincando, interagindo com jogos, modelos científicos, vídeos e painéis eletrônicos. Vale muito a visita. Se estiver interessado, reserve pelo menos uma hora e meia para a Casa das Ciências e duas horas para o Domus. Acredite, você não se arrependerá.

Também conheci a Torre de Hércules (http://www.torredeherculesacoruna.com/), o último farol romano que está de pé e ainda em atividade. Confesso que me decepcionei um pouco: esperava visitar a torre por dentro, mas ela estava fechada e só foi possível conhecer o entorno. Um desperdício para um monumento tão antigo e tão interessante.
A cidade velha também decepciona um pouco. Fora a Praça de Maria Pita, que fica no pé da cidade velha e tem um palácio lindíssimo, a parte mais alta só tem as ruazinhas estreitas e as casas antigas. Fiz questão de visitá-la e acabei deixando de lado atrações como o Parque São Pedro, o Castelo de San Antón e o Aquario Finisterrae, uma decisão da qual me arrependo bastante.

Santiago de Compostela

Santiago de Compostela

Torre de Hércules, La Coruña

Torre de Hércules em La Coruña

Se for a Coruña, uma dica: ande de ônibus. O mapa da cidade engana e parece que dá para fazer tudo a pé, mas as distâncias são bem grandes. Ao mesmo tempo, os ônibus são baratos, confortáveis, rápidos e é fácil de andar, pois as paradas são indicadas por um alto falante (exatamente como o de um trem ou metrô).
Minha dica é ficar hospedado na Rua San Andrés, que começa na parte mais nova, atravessa o meio da “ampulheta” e vai terminar aos pés da cidade velha. Aqui se concentram linhas de ônibus, restaurantes e cafés, e é possível encontrar hotéis bons e baratos a preços bons.”

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