Chapada Diamantina – dia 2 – Travessia Guiné – Capão

Chapada Diamantina – dia 2 – Travessia Guiné – Capão

O nosso segundo dia na Chapada Diamantina começou no jantar, logo após a “épica” visita à Cachoeira do Buracão. Mal acabamos de comer e o Tiago, nosso guia, fez um resumo do que nos esperava no dia seguinte: a Travessia Guiné-Capão, uma caminhada de 18 quilômetros, em 7 horas, com os primeiros 2 km morro acima. Esta seria nossa primeira experiência de trekking uma vez que a Cachoeira do Buracão foi apenas um passeio!! Tiago, como assim passeio?? Minhas pernas latejantes se sentiram ofendidas.

Na manhã seguinte embarcamos na van e da Pousada Pedras de Igatu até o início da trilha gastamos uma hora e meia. Ao descermos da van o primeiro passo, após passar o protetor solar, foi procurar por cajados para auxiliar na caminhada. Achá-los não é difícil, uma vez que quem faz a travessia no sentido inverso os larga naquele local.

Todos prontos, começamos a subida da Serra do Beco: uma trilha de 2 quilômetros coberta por pedras, preparada pelo homem. Há algumas décadas esta rota era usada para levar o gado, durante o período de seca, até os Campos Gerais do Vieira. Atualmente isto não é mais permitido, mas a trilha ficou, e hoje é usada pelos visitantes do parque.

A subida é íngreme e parece não ter fim, mas a cada vez que olhava para a paisagem em volta, via que valia a pena continuar, e fomos em frente.

Início da trilha: subida dos 2 km da Serra do Beco - mas não se assuste, se eu consegui, você também consegue

Início da trilha: subida dos 2 km da Serra do Beco – mas não se assuste, se eu consegui, você também consegue

A beleza da paisagem faz com que o cansaço seja esquecido

A beleza da paisagem faz com que o cansaço seja esquecido

Ao chegamos aos Campos Gerais do Vieira a caminhada fica mais fácil e podemos curtir a natureza enquanto avançamos.  É uma sensação muito boa estar em um local sem ver nenhum traço de civilização ao seu redor. Nada de estradas ou ruas, nada de casas, postes telefônicos e o mais surpreendente: podemos sobreviver sem internet.

durante a caminhada encontramos alguns cursos de água

durante a caminhada encontramos alguns cursos de água. Ao fundo o Morro do Pati.

Finalmente o momento tão esperado: a parada para o almoço. E ela foi um dos pontos altos da travessia: o alto de uma colina era um mirante perfeito para uma visão do Morro do Pati e do Morro dos Vieiras. Conclusão, ao invés de descansar ou comer, preferi fotografar, e valeu a pena, alguma das fotografias mais bonitas foram feitas aqui.

Vista da nossa parada para o almoço. A direita o Morro do Pati e à esquerda o Morro dos Vieiras. Dá para se sentir cansado com uma vista destas?

Vista na nossa parada para o almoço. A direita o Morro do Pati e à esquerda o Morro dos Vieiras. Dá para se sentir cansado com uma vista destas?

Após o almoço a caminhada foi mais rápida uma vez que enfrentamos um terreno mais plano, o que foi bom, afinal ainda faltavam 12 km. Após caminharmos pelo Vale Gerais do Vieira, enfrentamos a primeira das duas grandes descidas finais: a Ladeira do Quebra Bunda, com mais de um quilômetro totalmente em pedras de diferentes tamanhos, o que acaba cansando a pernas.

cansado? Sim, mas feliz

Cansado? Sim, mas feliz

O Vale Gerais do Vieira é tomado por uma vegetação baixa e pontuado por flores coloridas

O Vale Gerais do Vieira é tomado por uma vegetação baixa e pontuado por flores coloridas

Na reta final da caminhada pegamos pela frente a Ladeira do Bomba, uma trilha estreita em meio a vegetação fechada, e que estava tomada pela lama devido à chuva dos dias anteriores, mas a emoção não parou por ai, como no inverno escurece cedo, pouco mais de 17h30 já estava escuro, e precisamos percorrer o ultimo quilômetro usando lanternas e ainda tivemos que cruzar 3 riachos no escuro.

Antes de enfrentarmos a ladeira do Bomba paramos para descansar à margem de um pequeno riacho, cujo leito era coberto de pedras que formam um desenho curioso

Antes de enfrentarmos a Ladeira do Bomba paramos para descansar à margem de um pequeno riacho, cujo leito era coberto de pedras que formam um desenho curioso

No trecho final da travessia, descemos a Ladeira do Bomba rumo ao Capão

No trecho final da travessia, descemos a Ladeira do Bomba rumo ao Capão

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Início da Ladeira do Bomba

 No final da trilha uma caminhonete nos esperava para nos levar até a Pousada do Capão, nossa próxima base por duas noites.

O que levar na travessia:

– roupas confortáveis e de secagem rápida e use calças compridas, uma vez que passamos no meio da vegetação, e a calça ajuda a proteger de arranhões

– sapato ou bota apropriada para trilhas

– Mochila de ataque

– cajado (bastão para caminhada)

– protetor solar

– repelente

– óculos de sol

– chapéu

– capa de chuva

– lanterna

– canivete

– máquina fotográfica, cartões de memória e uma bateria extra, afinal você não vai querer perder nenhuma foto

– pelo menos 1 litro de água

– lanche para a trilha: suco, sanduíches, ovo cozido, frutas, barras de cereais, etc (lembre-se de que você caminhará mais de 7 horas, e precisará repor as energias). No final não deixe nada na trilha, nem cascas de frutas, traga todo lixo com você.

– kit de primeiro socorros, inclusive remédios que você tome regularmente

Caso você esteja fazendo a travessia por conta própria é necessário contratar um guia para acompanhá-lo, até porque a trilha não tem sinalização. No nosso caso, como o trekking foi organizado pela Venturas Viagens, e ínhamos dois guias, o Tiago puxando o grupo e o Jaulino fechando a fila.

No final o sentimento foi de superação e vitória, fiquei muito contente e até pensando nas próximas trilhas que faria durante a semana e em viagens futuras. Aparentemente trekking vicia.

 

Quer saber como foi nosso primeiro dia na Chapada Diamantina? Leia o post: Chapada Diamantina – dia 1 – Cachoeira do Buracão

 

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This Post Has 2 Comments
  • Boa noite! Estou planejando viajar para a Chapada Diamantina com minha irmã, e achei seu blog de grande ajuda, você mostra uma visão mais real do que iremos encontrar pela frente, parabéns! Vou acompanhar o site para poder ler possíveis publicações futuras sobre os outros dias de sua viagem!

    • Emília,

      que bom que tenha te ajudado, pode ir sem medo para a Chapada Diamantina, o lugar é lindo e vale o esforço. Em breve os posts dos 4 dias restantes vão estar publicados e espero que te animem ainda mais a ir para lá.

      um abraço,

      Edson Maiero

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