Campos do Jordão: Amantikir, jardins que falam

Campos do Jordão: Amantikir, jardins que falam

Campos do Jordão é famosa pela temporada de inverno, quando multidões de pessoas vão até lá para curtir o frio, mas é importante lembrarmos que Campos de Jordão é um lugar para ser visitado durante os 12 meses do ano. Além do Festival de Inverno e do circuito gastronômico, a cidade possui diversas atrações culturais, trilhas para caminhada, cachoeiras, diversos mirantes, passeios a cavalo e de quadriciclo, arborismo, ciclismo e também jardins, por onde podemos caminhar e observar a natureza. Os mais importantes para mim são o Horto Florestal, os jardins do Museu Felícia Leiner e o Amantikir.

O Amantikir é o menos conhecido dos três e merece ser visitado caso você goste de caminhar por um belo jardim, seja para relaxar ou para namorar. Seu nome é estranho, Amantikir (Serra que Chora em tupi), mas seus jardins não tem nada de estranho. Pelo contrários eles foram muito bem planejados e executados, e quando caminhamos por suas trilhas passamos por doze diferentes jardins, bosques e até mesmo dois labirintos. Procure ir em um dia de céu limpo e aproveite este mergulho na natureza.

Amantikir, Campos do Jordão, jardins, São Paulo, SP

A simpática entrada de Amantikir

Jardim em patamares: contenção de talude construída em madeira, para distribuir os diversos tipos de flores e plantas. É uma alternativa elegante ao murro de arrimo.

Jardim em patamares: contenção de talude construída em madeira, para distribuir os diversos tipos de flores e plantas. É uma alternativa elegante ao murro de arrimo.

Amantikir, Campos do Jordão, jardins, São Paulo, SP

Jardim das Coníferas

Amantikir, Campos do Jordão, jardins, São Paulo, SP

vista do mirante: eu não sei você, mas adoro esta paisagem

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simplicidade de um jardim florido

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árvores secas

Para mim o ponto alto do passeio são os dois labirintos. O primeiro, com paredes feitas de arbustos nos desafia a encontrar a saída.Na verdade não é complexo, mas o suficiente para nos divertirmos sem ficarmos ansiosos para sair; demora aproximadamente 5 minutos, com direto a dar de cara com diversos caminhos sem saída, o que nos força e retornar e pegar outra rota. É diversão para todas as idades.

Amantikir, Campos do Jordão, jardins, São Paulo, SP

que tal enfrentar o desafio do labirinto

Amantikir, Campos do Jordão, jardins, São Paulo, SP

beleza por todos os lados

O segundo labirinto é o chamado Labirinto de Grama, no qual devemos seguir o caminho gramado até o centro. Este tipo de labirinto foi criado na Inglaterra, no século 11, como uma forma de relaxamento e introspecção. Funciona? só tem um modo de saber: quando vier aqui não deixe de caminhar por ele e descubra.

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quer relaxar? percorra os 500 metros até o centro do labirinto

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esta casa no alto da colina é um ótimo ponto para sentar na varanda e curtir a vista

Amantikir, Campos do Jordão, jardins, São Paulo, SP

enquanto você admira a vista da varanda, não deixe de fazer algumas fotos

Chegar ao Amantikir não é difícil, estando em Campos de Jordão, próximo a Abernéssia, siga as placas para o Pico do Diamante/Estrada Gavião Gonzaga e dali passe a seguir as placas para o Tarundu e depois as placas para o Hotel Toriba, e passando o hotel mantenha-se a direita (no asfalto), siga em frente até passar 2 vezes pela linha do trem, a recepção está logo ali, a 500 metros.

 A Lenda de Amantikir:

Conta a lenda que havia uma princesa encantada da Brava Tribo Guerreira do Povo Tupi. Seu nome o tempo esqueceu, seu rosto a lembrança perdeu, só se sabe era linda.
Era tão linda que todos a queriam, mas ela não queria ninguém. Vira homens se matarem por vê-la. Tacapes velozes triturando ossos, setas certeiras cortando carnes. Como poderiam amá-la se não amavam a si próprios?
A Bela Princesa se apaixonou pelo Sol, o guerreiro de cocar de fogo e carcás de ouro, que vivia lá em cima, no céu, caçando para Tupã. Mas o sol, ao contrário de tantos príncipes, não queria saber dela. Não via sua beleza, não escutava suas palavras nem se detinha para tê-la.
Mal passava, cálido, por sua pele morena, sua tez cheirando a flor, mal acariciava seus pelos negros, suas pernas esguias, e, fugaz, seguia impávido a senda das horas e das sombras. Mas ela era tão bonita que sentí-la nua, seus pequenos túrgidos seios, seus lábios de mel e seiva, sua virginal lascívia, acabaram também encantando o Sol. E o Guerreiro de Cocar de Fogo fazia horas de meio-dia sobre o Itaguaré…
A Lua mal surgia sobre a serra, já sumia acolá. Logo não havia noite. O sol não se punha mais e não havia sono, não havia sonho, e tão perto vinha o Sol beijar a amada que os pastos se incendiavam, a capoeira secava e ferviam os lamaçais…
De tênues penugens de prata, plumas alvas de cegonhaçú, a Lua viu que estava ameaçada por uma simples mulher. O Sol, que na Oca do Infinito já lhe dera tantas madrugadas de prazer, tantas auroras de puro gosto, se apaixonara por uma mulher…
E foi contar tudo para Tupã. E tanto, de tanto que Tupã quis saber o que era, que a Lua, cheia de ódio, crescente de ciúme, minguando de dor, se fez um novo ser de noite-sem-lua. Como uma simples mulher ousou amar o Sol? Como o Sol ousou deter o tempo para amar alguém?
Que ele nunca mais a visse! Mas o Sol tudo vê!… Tupã ergueu a maior montanha que existia lá e dentro dela encerrou a Princesinha Encantada da Brava Tribo Guerreira do Povo Tupi. O Sol, de dor, sangrou poentes e quis se afogar no mar. A Lua, com a dor de seu amado, chorou miríades de estrelas, constelados e prantos de luz. Mas nenhum choro foi tão chorado como o da Princesinha, tão bela, que nunca mais pôde ver o dia, que nunca mais sentiria o Sol… Ela chorou rios de lágrimas, Rio Verde, Rio Passa-Quatro, Rio Quilombo, rios de águas límpidas, minas, fontes, grotas, enchentes, corredeiras, bicas, mananciais. Seu povo esqueceu seu nome, mas chamou de Amantikir, a “Serra que chora”, Mantiqueira, a montanha que a cobriu…Conta a lenda que foi assim…

(Trecho da peça “A Fantástica Lenda de Algures“)

 

Edson Maiero